Sakamoto: Deputados decidem se reproduzir e que se lasque o ajuste fiscal

A aprovação do aumento do número de deputados federais revela o desinteresse dos parlamentares em discutir o corte de gastos, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News hoje.

De acordo com integrantes do governo e parlamentares governistas, Lula deve vetar a proposta do projeto de lei, que cria 18 vagas de deputados federais já a partir das eleições de 2026, passando dos atuais 513 para 531.

Do ponto de vista técnico, político, democrático e republicano, Lula deveria comprar essa briga. Mas, do ponto de vista da governabilidade, ele está pensando ‘veja bem…’. Sabemos que governabilidade é a palavra que está pichada com sangue e fezes nos muros do inferno.

Nesse momento, estão sendo feitos cálculos políticos, com a Câmara achando que isso é uma declaração de guerra. Não há qualquer justificativa, do ponto de vista técnico ou da necessidade, além do puro interesse corporativo dos senhores deputados.

Eles poderiam fazer apenas um rearranjo interno, mas isso significa que alguns deixarão sua cadeira porque alguns estados perderão representação, mas é normal que isso aconteça. Em qualquer democracia minimamente madura, verificam-se as cadeiras de tempos em tempos. Que os deputados lutem para poder vencer.

Eles querem aumentar para praticamente criar uma reserva de mercado. Esse aumento de deputados não tem qualquer justificativa democrática. É pura e simplesmente para garantir que os deputados que estão hoje no Congresso tenham mais chance de garantir sua permanência lá, como se isso fosse um direito adquirido. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

Para Sakamoto, há chances remotas de Lula vetar o projeto de lei, uma vez que esta decisão ampliaria a já desgastada relação entre o presidente e o Congresso.

Isso não faz sentido para além da proteção dos interesses eleitorais dos próprios senhores deputados. É um acinte, uma sacanagem. Lula deveria vetar, mas a chance é muito pequena. Ele deve fazer a egípcia, fingir que não é com ele e deixar passar, o que também é um absurdo.

Neste momento, precisamos de um governo que diga ‘se é para cortar, que seja de todo mundo’. O problema é que o Legislativo paga de gostoso e diz ‘evitar os excessos do Executivo’. E quem evita os excessos deles? Ninguém. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

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