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Essa estrutura cria um problema grave para a fiscalização. “Se a Justiça manda bloquear a conta do Toledo nessa fintech, não dá para bloquear, porque não existe a conta do Toledo”, exemplifica o jornalista. Para as autoridades, não há registro público de que determinada conta pertence a um cliente específico, o que facilita operações de lavagem de dinheiro.
O boom das fintechs começou em 2018, durante o governo Temer, num movimento que Toledo caracteriza como “uma nova fase de desregulamentação financeira, silenciosa, pouco discutida com a sociedade”. Junto com a liberação das apostas online e outras medidas, houve “uma financeirização radical da vida dos brasileiros que foram integrados ao sistema financeiro”.
Embora o acesso da população ao sistema financeiro seja positivo, falta de regulação no setor, observa Toledo. Em 2020, celebrava-se a criação de 30 fintechs desde 2018. Hoje são mais de 300, mas o Banco Central fiscaliza apenas 21% delas. O plano para fiscalizar todas só deve ser concluído em 2029.
Segundo apuração junto aos investigadores de uma operação que identificou fintechs ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital), o BMP prestava serviços para uma empresa chamada 2Go Bank, ligada à facção criminosa.
Toledo esclarece que “o BMP não tem nada a ver com isso”, mas alerta para o problema estrutural: “Você tem uma fintech, que é uma casca. A fintech é a casca. É o que você vê. É bonita, colorida, tem um aplicativo bacana, faz propaganda, captura o cliente. Dali para frente, ela não existe mais.”
“Se a fintech é a casca, o banco invisível e a empresa de tecnologia são o tronco, que estão por dentro da casca, que vão se conectar com as raízes, que são o sistema brasileiro de pagamentos”, continua Toledo. O risco está em contaminar a floresta com uma casca que não tem fiscalização, completa.
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