Candidato de Lula, Edinho Silva é eleito presidente nacional do PT

O ex-ministro Edinho Silva foi eleito o novo presidente nacional do PT. O resultado foi divulgado nesta noite, após decisão da Justiça sobre a confusão no diretório de Minas Gerais.

O que aconteceu

Apoiado pelo presidente Lula (PT), Edinho era o favorito ao pleito. Seu principal adversário foi o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), que já dirigiu a sigla anteriormente e se lançou como independente. Os petistas históricos Romênio Pereira e Valter Pomar correram por fora.

O resultado após o partido conseguir reverter a decisão que suspendeu a votação em Minas Gerais ontem. Um litígio sobre a inclusão da candidatura da deputada Dandara Tonantzin (PT-MG) ao diretório estadual travou a votação no estado e, com embate na Justiça, a votação acabou anunciada sem os votos mineiros.

Edinho, prefeito de Araraquara (SP) por oito anos, era o nome da corrente majoritária do PT. A CNB (Construindo um Novo Brasil), da qual o presidente Lula faz parte, representa quase 50% dos votos de filiados.

A eleição aconteceu depois de oito anos de gestão de Gleisi Hoffmann. Então líder do PT no Senado, ela assumiu o partido em junho de 2017, em meio à Operação Lava Jato, momento mais delicado da história da sigla. Ela passou o posto temporariamente ao senador Humberto Costa (PT-PE) quando foi nomeada ministra das Relações Institucionais, em março deste ano.

Recheada de governistas, como o ministro Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi e o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), a CNB optou pela suavização. Membros da corrente defendem que o partido conseguiu seus maiores êxitos quando dialogou com siglas ao centro e com setores mais distantes do tradicional discurso petista (bancos e mercado financeiro, por exemplo), como ocorreu nos primeiros mandatos de Lula e na eleição de 2022.

A discussão, não exatamente uma novidade no PT, se dá entre aumentar o diálogo ao centro ou esticar a corda à esquerda. Edinho, conhecido como conciliador, defende a primeira estratégia.

O ponto do grupo, defendido por Edinho, é que a população já está dividida e que as chances maiores de crescimento estão no consenso. Não à toa, este é o tom que mais se aproxima do governo. Ministros defendem que o partido tenha posicionamento independente, mas “é preferível” que some com o discurso de Lula, não que antagonize a ele —até o ex-ministro José Dirceu, liderança importante, aderiu a este discurso e declarou apoio público a Edinho.

Ex-ministro de Dilma Rousseff (PT), Edinho tem acesso direto ao Planalto e o visita com frequência. No Rio de Janeiro, como anfitrião da cúpula do Brics, Lula conseguiu votar no pleito.

Oito anos depois

Depois de oito anos, o partido elegeu um presidente em uma situação totalmente diferente. Em 2017, o PT era o principal alvo da Lava Jato, com grande parte das suas lideranças investigadas, incluindo o então ex-presidente Lula e a senadora e candidata eleita, Gleisi Hoffmann.

Fiel a Lula, Gleisi segurou a legenda durante os anos com menores números de novas filiações. Nas eleições municipais de 2020, o partido teve seu pior desempenho, sem eleger nenhum prefeito em capital pela primeira vez desde a redemocratização.

Agora, de volta à Presidência da República, o cenário é outro. O PT voltou a ver o número de filiados e de prefeitos eleitos subir em 2024 e se mantém como uma das maiores forças do Congresso.

Apesar do aumento, o crescimento está aquém do almejado pela legenda. Mesmo com a terceira bancada, o PT está longe de ter o poder que um dia teve, o que é sentido diariamente nas votações do Congresso, enquanto vê nomes da direita despontarem em diferentes regiões do país.

A renovação será um dos principais desafios de Edinho. Com o número de jovens —uma marca do PT nos anos 1980— reduzido a pó depois da Operação Lava Jato, novas lideranças têm surgido, mas o partido precisa de volume.

Lula e membros do governo repetem que, se não tiverem bases regionais e nacionais sólidas, de nada adianta estarem no Planalto. Para isso, é preciso, primeiro, ter um alto número de candidatos, segundo analisam membros do diretório.

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