
O serviço para o qual a empresa foi contratada foi o de “infraestrutura logística de material e operacional para a execução de plano de intervenção e oficinas” do Ambiente Jovem.
Para cada núcleo de educação ambiental, a firma ganhou R$ 15 mil.
Nos relatórios da ONG Con-tato, os planos de intervenção são descritos como atividades simples, sem necessidade de grande aparato, como confecção de brinquedos com material reciclável, plantio de mudas e hortas comunitárias e conscientização dos moradores.
O UOL conversou com um ex-aluno que contou nunca ter ouvido falar da AF Assessoria e que as ações que o seu núcleo realizava eram basicamente feitas com materiais que os próprios estudantes conseguiam.
Em maio de 2023, a firma recebeu mais um pagamento de R$ 375 mil pelo mesmo serviço. Nessa época, Nascimento já havia passado a empresa para o nome da contadora Bruna de Almeida Lima.
Em nota, a Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, responsável pelo Ambiente Jovem, afirmou que “a contratação do serviço de “apoio a oficinas e planos de intervenção” não se destina ao suporte direto aos alunos, mas sim à execução de atividades práticas, como a instalação de ecobarreiras, implantação de hortas comunitárias, produção de sabão ecológico, entre outras ações, incluindo a aquisição de insumos necessários para essas iniciativas”.
A pasta não comentou o fato de a empresa contratada pela Con-tato pertencer ao presidente de uma outra ONG.
A reportagem enviou questionamentos a Nascimento por email e a Bruna por WhatsApp, mas não houve resposta.
Num processo judicial público localizado pelo UOL, não consta na declaração de imposto de renda de Bruna nenhuma referência à participação societária na empresa ou a eventuais lucros.
A reportagem também apurou que a AF Assessoria não tinha nenhum funcionário oficialmente contratado para auxiliar nas atividades da empresa.
O UOL já havia mostrado que a firma recebeu R$ 71 mil de recursos de emendas parlamentares das ONGs Con-tato e ICA (Instituto Carioca de Atividades) enquanto Nascimento era o dono da empresa.
Esposa de presidente de ONG
O UOL localizou ainda nas prestações de contas do Ambiente Jovem 13 pagamentos de R$ 18 mil (R$ 234 mil ao todo) para a RCM, firma de Rosimery da Costa Mota, esposa de Nicodemos Mota, presidente do ICA, por serviços de contabilidade.
A ArtPlural, empresa que recebeu R$ 250 mil, em outubro de 2022, por uma cerimônia de formatura que não foi realizada, pertencia à época a Ingrid Costa de Souza, enteada de Nicodemos Mota.
Antes do pagamento pela formatura, a firma já havia recebido outros três pagamentos, num total de R$ 330 mil, em março de 2022, para a produção do evento de lançamento do Ambiente Jovem, na Marina da Glória, que contou com a presença do então vice-governador do Rio e chefe da pasta de Ambiente, Thiago Pampolha, padrinho do projeto
Para essa cerimônia, os kits lanche distribuídos no evento foram orçados a R$ 27,50 cada um. O UOL apurou com um ex-aluno que o kit era formado por pão com queijo, um biscoito salgado, um bolinho e um copo de guaraná natural. Também havia uma mesa de frutas no evento.
Em preço atual de mercado, o valor médio é de R$ 15. As notas fiscais não discriminam quantos lanches foram servidos.
A Secretaria de Ambiente disse que “a alimentação disponibilizada incluiu lanches durante o trajeto em ônibus e uma mesa com frutas na Marina da Glória, acessível a todos os participantes”.
Atualmente, tanto a ArtPlural quanto a RCM pertencem a Daniel da Silva Alves, com quem a reportagem não conseguiu contato.
O UOL procurou Nicodemos e Rosimery por email, mas não houve retorno. Ingrid Costa de Souza não foi localizada.
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