O perfil da subprefeitura da Lapa, comandada pelo ex-deputado federal e policial militar da reserva Coronel Telhada (PP), fez uma publicação nas redes sociais em que exalta a atuação da Polícia Militar nos anos 1970 e 1980, quando a PM esteve diretamente envolvida nos atos de repressão e tortura da ditadura militar.
O que aconteceu
Publicação recebeu críticas, que foram ocultadas pelo perfil da subprefeitura. Logo em seguida, o post saiu do ar. O UOL perguntou ao órgão o motivo. Caso haja resposta, o texto será atualizado.
Órgão chefiado por Telhada lembrou saudosamente da viatura Chevrolet Veraneio, apelidada de “coral”. “Sem a carteira profissional, ou documento de identidade, não valia. Quem passava por ali sabia que a lei era para valer. Era uma época em que o cidadão era respeitado, e o criminoso tinha medo de cruzar o caminho desses bravos”, dizia a legenda.
Antes de entrar para a política, Telhada fez carreira na PM de São Paulo e foi comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Enquanto era vereador da capital paulista, em 2013, ele propôs homenagem à Rota, destacando as ações contra opositores durante a ditadura. Em entrevista ao UOL na época, ele disse guardar “boas recordações” desses anos.
Relatório da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo diz que PM paulista teve “papel importante” na repressão política do regime. Já no período democrático, a corporação seguiu enviando relatórios ao Exército, segundo relatos colhidos pela comissão.
Coronel do Exército disse que foram a PM e a Polícia Civil de São Paulo que ensinaram os métodos de tortura usados no DOI-Codi. “Uma pergunta que vocês estão cansados de fazer: ‘Tinha tortura [no DOI-Codi]?’. Eu digo que, institucionalmente, não. Mas eu imagino que possa ter havido. Eu seria inocente e ia bancar o idiota na frente de vocês se dissesse que não. E quem nos ensinou a trabalhar foram a Polícia Militar e a Polícia Civil. A Polícia Civil era [o pessoal] do Dops, comandado pelo Sérgio Fleury, o maior delegado que São Paulo já teve. E, lá, era na base do ‘pau’”, falou o coronel reformado Pedro Ivo à Comissão Nacional da Verdade, em 2014.


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