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Trump sustenta que a forma como o Brasil trata Bolsonaro é uma “vergonha”. Repete a falácia segundo a qual o julgamento do capitão é uma “caça às bruxas”, que deve “acabar imediatamente”.
Queixa-se, de resto, de decisões do Supremo contra big techs americanas. Nada a ver, portanto, com a balança comercial entre os dois países. Uma balança na qual os Estados Unidos são superavitários.
O tiro de Trump não fere apenas as exportações brasileiras. Acerta em cheio os pés de barro da falange trumpista no Brasil. Potencial representante do conservadorismo na corrida presidencial, o governador paulista Tarcísio de Freitas, por exemplo, equilibra-se sobre uma corda bamba.
No dia da eleição de Trump, depois acomodar sobre as orelhas um boné vermelho com o slogan “Make America Great Again”, Tarcísio levou às redes sociais um vídeo expondo suas expectativas sobre os Estados Unidos.
“Uma economia mais forte”, anotou o governador, “com menos impostos, uma outra visão acerca da América Latina, uma postura diferente em relação às disputas comerciais que podem virar oportunidades para nós se bem lidas e aproveitadas”.
À frente de um estado que responde por mais de 30% de tudo o que o Brasil vende para os Estados Unidos, Tarcísio logo terá que explicar seu entusiasmo a cada empresário que amarga prejuízos e a cada brasileiro que perde o emprego por causa das tarifas de Trump.
No outro extremo, Lula avançou sem sair do lugar. Ganhou de Trump um presente e um álibi. Foi presenteado com o papel de defensor da pátria. E já pode exercitar sem culpa o hábito de terceirizar todas as culpas.

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