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Calma lá! Quem invadiu as respectivas sedes dos Três Poderes foram outras forças, ou estou enganado? Alguns dos incentivadores do ataque estão lá, a exercer mandatos. No fim de 2022, o Senado chegou a abrigar uma reunião de meliantes morais que buscavam modos de resistir à posse do eleito. E agora se vai acusar os que fazem o debate sobre o corte de gastos e quem paga quanto de imposto de tentar empastelar o Congresso? O ponto é outro: existe um “quantum” de receitas e um de despesas. Vamos cortar gastos? Vamos. Quais gastos? No capítulo das receitas, como anda a carga que recai sobre os ombros dos pobres e a que pesa sobre os dos ricos?
Até Paulo Guedes sabia, na entrevista que concedeu ao Flow no dia 27 de setembro de 2022, o que precisava ser feito:
“[Falta] acertar lá em baixo; falta corrigir a tabela do Imposto de Renda, isentar mais. Mas aí você tem que pegar lá em cima, lucros e dividendos, a turma do segundo andar. Sessenta mil pessoas receberam R$ 300 bilhões e pagaram zero! Olha, os governos de centro-esquerda ficaram aí 30 anos e nunca tiveram coragem de botar a mão no andar de cima. Nós estamos falando de megabilionários que… É o que eu sempre disse: ‘Você não tem de ter vergonha de ser rico; você tem de ter vergonha é de não pagar imposto. Se um funcionário seu paga 27,5% [de Imposto de Renda], por que você paga zero?”.
CONTRA AS TIRANIAS
Venha alguém propor a extinção do Congresso, e ouvirá de mim que é candidato a tirano. Venha alguém defender o aparelhamento do Legislativo para impor a sua vontade ao Executivo e ao Judiciário, ao arrepio da Constituição — não é, Bolsonaro? –, e ouvirá de mim que é candidato a tirano. Venha alguém e decida debater as prioridades de um Poder que tem se negado, sistematicamente, a cobrar a conta que cabe aos ricos; que vocifera a necessidade de cortar gastos, mas se refestela em emedas bilionárias e não se submete às regras da transparência, e ouvirá de mim tratar-se do combate a um novo modo de tirania.
Ninguém está querendo fechar o Congresso. O que se busca é saber onde é que os valentes pretendem fazer cortes e de onde pretendem achar o dinheiro. O inconformismo se deve ao fato de que o Centrão tem tendência a ser Tigrão com pobres e gato manso com nababos, sem contar os bilhões das emendas que alimentam a clientela.
Daqui a pouco, a direita que pregava o vale-tudo nas redes vai pedir controle de conteúdo para barrar a crítica política. E é evidente que não estou surpreso que assim seja.
Inexiste democracia sem Poder Legislativo. E esse Poder, a exemplo dos outros Dois, tem de existir nos limites da Constituição e em harmonia com eles. Não contra todos. É evidente que é saudável que esse debate tenha ido parar nas redes. Espero que lá continue, cada vez mais ativo, em defesa da democracia.

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