Governo Lula convoca encarregado dos EUA para explicar nota sobre Bolsonaro

A declaração do Departamento de Estado fazia referência à postagem do presidente Donald Trump em que acusava as instituições brasileiras de um “caça às bruxas” político contra o ex-presidente brasileiro e exortava a Justiça brasileira: “Deixem-no em paz”.

O UOL apurou que o texto da postagem de Trump em favor de Bolsonaro não havia passado pelo Departamento de Estado antes da publicação em sua rede social, a Truth, mas agora a diplomacia americana confirma o novo posicionamento em relação ao Brasil.

“A declaração do Presidente é clara, e nós a ecoamos. Estaremos observando atentamente”, diz a nota do órgão, que se recusou a responder à reportagem sobre a possibilidade de sanções americanas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ou outras autoridades e sugeriu que a coluna buscasse a Casa Branca para mais esclarecimentos. Ontem, o Itamaraty foi avisado do teor da nota e, questionado pela coluna, optou por não responder.

Mas hoje, após a distribuição da nota pela Embaixada, o governo Lula tomou a decisão de convocar o encarregado de negócios. Escobar é o mais alto funcionário americano no país, já que a administração Donald Trump ainda não escolheu um embaixador para Brasília. Ele falará na tarde desta quarta, 9, com a embaixadora Maria Luisa Escorel de Moraes, secretária de Europa e América do Norte do Itamaraty.

É a segunda vez que o governo Lula convoca Escobar a dar esclarecimentos. No dia 27 de janeiro, o encarregado foi convocado pelo Itamaraty para explicar os maus tratos denunciados aos brasileiros deportados pelos EUA.

Brasil está insatisfeito com postura dos EUA

Na reunião, Escobar será cobrado por explicações e ouvirá a insatisfação do Brasil com o assunto. “Não vai ser bonito”, disse à coluna um embaixador brasileiro com conhecimento do assunto. A nota do Departamento de Estado diz ainda que “Jair Bolsonaro e seus familiares são parceiros sólidos dos EUA”, mas não menciona a histórica relação de amizade de 200 anos entre Brasil e EUA.

Em resposta às declarações de Trump sobre Bolsonaro, ainda na segunda-feira, o presidente Lula afirmou que as questões de política e justiça domésticas não deveriam ser alvo de interferência estrangeira. “Esse país tem lei, tem regra e esse país tem um dono chamado povo brasileiro. Portanto, de palpite na sua vida e não na nossa”, disse.

Mesmo antes da posse de Trump, bolsonaristas radicados nos EUA já trabalhavam para promover sanções do governo dos EUA contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, o relator dos processos contra Bolsonaro. Em março, o deputado federal Eduardo Bolsonaro se licenciou da Câmara dos Deputados para se dedicar exclusivamente ao assunto no país de Trump.

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