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Desde que venceu a eleição, em 2024, Trump vinha fazendo ameaças ao Brics, principalmente no que se refere ao uso de moedas locais para o comércio e um eventual abandono ao dólar. O americano chegou a mencionar tarifas de 100% caso a moeda dos EUA fosse abandonada pelos emergentes. Nos últimos meses, alguns dos países do bloco optaram por dar um perfil mais baixo para o debate sobre a desdolarização.
Trump também chegou a declarar o bloco como “morto”, sugerindo que foram suas ameaças que congelaram as ações do grupo.
Desta vez, o ataque não especifica quais seriam as políticas do bloco que poderiam ser consideradas contrárias aos interesses americanos. Na declaração final do Brics, na cúpula do Rio de Janeiro, há um apoio ao Irã, uma defesa aos palestinos em Gaza, denúncias contra as tarifas americanas e propostas de regulação das Big Techs, entre tantos pontos de divergência com a Casa Branca.
Ainda na segunda-feira, o governo americano justificou o ataque, apontando que o Brics tem como objetivo “prejudicar os interesses dos EUA”.
Jair Bolsonaro
Nesta quarta-feira, instantes depois de repostar a mensagem sobre o Brics, Trump repetiu a mensagem de apoio ao ex-presidente indiciado por golpe de estado, Jair Bolsonaro.
“O Brasil está agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, disse Trump, em sua mensagem original.
“Eu observei, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano! Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo POVO. Conheci Jair Bolsonaro, e ele era um líder forte, que realmente amava seu país – além disso, um negociador muito duro no comércio. Sua eleição foi muito acirrada e, agora, ele está liderando as pesquisas. Isso não é nada mais, nada menos, do que um ataque a um oponente político”, disse.
“Algo que eu sei muito sobre isso! Isso aconteceu comigo, 10 vezes, e agora nosso país é o “MAIS QUENTE” do mundo! O grande povo do Brasil não vai tolerar o que estão fazendo com seu ex-presidente. Estarei acompanhando de perto a Caça às Bruxas de Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores. O único julgamento que deveria estar acontecendo é o julgamento pelos eleitores do Brasil – isso se chama Eleição. DEIXEM BOLSONARO EM PAZ!”, completou Donald Trump.
Na noite de terça-feira, ele já havia repostado a mesma mensagem, também em suas redes sociais.
Ingerência em eleição de 2026
Ainda na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, alertando nas redes sociais que o Brasil “não aceita a interferência ou tutela de quem quer que seja”. Sem citar Trump, o brasileiro rebateu e disse que “ninguém está acima da lei”.
Por meses, Eduardo Bolsonaro e parlamentares fizeram visitas aos gabinetes de aliados de Trump, na esperança de convencer a base mais radical dos republicanos a agir contra as autoridades brasileiras.
O máximo que conseguiram, até agora, foi uma decisão por parte do governo de Trump de vetar a concessão de vistos para autoridades que “ataquem a liberdade de expressão”. Mas a insistência do americano nas redes sociais em focar no Brasil desde domingo tem despertado a esperança do bolsonarismo de que algo possa ser anunciado em breve.
A declaração de Trump foi considerada dentro do Itamaraty como um sinal de alerta do que pode ocorrer, caso o destino do ex-presidente não agrade ao movimento de extrema direita nos EUA. O gesto também foi visto por uma ala do Palácio do Planalto como uma sugestão de que o americano irá promover uma ingerência direta na eleição no Brasil em 2026.

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