Antes era atentado contra democracia, agora é contra economia, diz Alckmin

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também criticou a medida de Trump e a reação de bolsonaristas no mesmo evento do Planalto, voltado à indústria automotiva. “Naquele tempo, a gente não celebrava ataque estrangeiro ao Brasil”, disse o ministro, se referindo aos quatro mandatos do vice-presidente como governador de São Paulo (2001-2006 e 2011-2018).

Ligar as tarifas a Bolsonaro é uma estratégia adotada pelo governo. Ontem mesmo, petistas já usaram as comemorações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Eduardo como munição contra eles mesmos, dois possíveis presidenciáveis da direita.

Em entrevista hoje, Lula disse que Bolsonaro deveria “assumir a responsabilidade” pelo tarifaço. “Porque ele está concordando com a taxação, disse, em entrevista ao Jornal da Record gravada nesta tarde. “Aliás, foi o filho dele [Eduardo Bolsonaro] que foi lá fazer a cabeça do Trump.”

Como o UOL mostrou, membros do governo dizem que o anúncio pode acabar virando um “tiro no pé” dos próprios bolsonaristas. A avaliação é que o aumento “desproporcional” trouxe reações mais favoráveis à pauta governista do que contra ela.

Após o susto inicial, a avaliação no Planalto é que politicamente o governo não se enfraqueceu. Pelo contrário: aliados citam setores historicamente refratários a Lula que se posicionaram contra as posturas de Trump e dos bolsonaristas como um indicativo de que a ação terá um efeito interno negativo, assim como o endosso a ela.

Como Lula, Alckmin não descartou o uso da Lei da Reciprocidade e chamou a decisão de “equívoco”. “O Brasil não é problema dos Estados Unidos. Os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas tem superávit no Brasil. São US$ 7 milhões de dólares no passado”, argumentou.

O vice-presidente anunciou hoje o programa “Carro Sustentável”, que visa reduzir o preço do carro popular. Apelidado “IPI Verde”, prevê isenção total de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos mais acessíveis e com menor impacto ambiental a partir de amanhã.

Estava previsto que Lula participasse do evento no Planalto, mas, após a carta de Trump ontem, desistiu. “O objetivo é simplesmente fortalecer a sustentabilidade e melhorar acesso aos chamados carros de ação”, afirmou o vice-presidente.

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