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Dada a investida de Trump, Tarcísio preferiu ignorar os termos da carta mafiosa e preferiu atacar o presidente Lula. Escreveu:
“Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado. Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram a negociação. Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolverão o problema.”
Repetiu a ladainha mentirosa do bolsonarismo, difícil de emplacar. O Brasil negocia com os EUA desde o primeiro momento. Mais: aplicadas as tarifas especiais sobre alumínio e aço e as gerais de 10%, não se falou por aqui em reciprocidade ou retaliação porque se entendeu que o melhor seria manter as conversações. À diferença do que diz o governador, o comportamento do governo foi impecável.
Se chegar ao Planalto, Tarcísio está a dizer que pretende manter relações apenas com democracias? De que agressão aos EUA ele está a falar? Trata-se de outra mentira. “A responsabilidade é de quem governa” mesmo quando se sofre a agressão? A que “censura” está se referindo? Que iniciativa existe do Poder Executivo nessa área? Ou está a fazer uma crítica indireta ao Supremo e ao ministro Alexandre de Moraes, que não censuraram ninguém?
Bolsonaro não será candidato. Eduardo resolveu assinar, reiteradas vezes, a sua tentativa de interferir na instrução criminal no caso da ação penal de que seu pai é réu. Ganhou vulto no núcleo duro do bolsonarismo, mas parece que seu prazer maior está em tentar derrubar o Supremo, não em se candidatar à Presidência.
Leio a nota absurda do governador como um farejar de oportunidades. Nome até havia pouco mais forte na direita e extrema direita, vinha fazendo um esforço danado para ser radical entre radicais e moderado entre moderados. Ao não censurar Trump, com suas chantagens e ameaças, Tarcísio tenta demonstrar, mais uma vez, que é um deles, um puro-sangue do reacionarismo, embora ninguém, entre os do núcleo duro do bolsonarismo, acredite nisso. A sua “prova de fidelidade”, desta feita, veio mais forte: entre o Brasil e Bolsonaro, faz a sua escolha. Que isso seja ouvido com clareza por aqueles que viam nele um “bolsonarista moderado”, como se isso existisse.
Tarcísio, vê-se, deixou Trump de lado e preferiu atacar Lula: porrada em que taxa milionários e sabujice com quem taxa o Brasil, endossando, na pratica, a investida contra o Supremo. Com a palavra, o empresariado brasileiro que lhe faz mesuras.
“Ah, se eu for eleito, negocio com Trump o fim das tarifas…” É mesmo? Mas isso, convenham, o Agente Laranja já disse que topa fazer. Desde que o presidente brasileiro fique de quatro, com a coleira no pescoço.
E isso o que o pré-candidato Tarcísio oferece ao país?

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