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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse no final da tarde de hoje que a tarifa de 50% determinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aos produtos brasileiros não se justifica, e que era o Brasil quem “deveria estar pensando em protecionismo, mas não está”. Apesar de não querer prever nenhum impacto na economia, Haddad reconhece que há setores que podem ser muito prejudicados caso a tarifa entre em vigor em 1º de agosto.
O que aconteceu
Haddad não quis prever nenhum tipo de impacto direto na economia e que tudo é um “mal-entendido”. O ministro disse que o comércio bilateral entre Brasil e EUA está em torno de 12%, e que, apesar de ter sido maior em anos anteriores, ainda é relevante. “Reconhecemos que há setores que vão sofrer bastante [caso a taxação entre em vigor], mas o que queremos, independentemente do impacto, é manter as boas relações”, disse hoje, em Brasília.
Superávit da balança comercial dos Estados Unidos, nos últimos 15 anos, é superior a R$ 400 bilhões, disse Haddad. O ministro também disse que não há sentido, do ponto de vista econômico, para a medida. “Quem deveria estar pensando em protecionismo econômico era o Brasil, e nós não estamos”, afirmou.
Temos que buscar o entendimento, imaginar que alguém com juízo vai aparecer e fazer o que é certo, que é sentar à mesa, pesar os argumentos, se tiver alguma distorção ter a abertura para corrigir, não só o Brasil, e buscar a forma de cooperar como o Brasil faz com o mundo inteiro
Fernando Haddad, ministro da Fazenda
Grupo de trabalho vai analisar a Lei da reciprocidade. Grupo será formado com condição do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e deve se reunir nos próximos dias, segundo Haddad. A legislação, aprovada pelo Congresso Nacional, autoriza limitar importações de bens e serviços, suspender concessões comerciais e de investimentos e suspender obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual. “Há muitas medidas não tarifárias que podem ser tomadas, e que não impactam na inflação”, ponderou.
Ministro da Fazenda também culpou “extrema-direita” pela taxação. “Diante da evidência, inclusive pública, que [o grupo] se envolveu em um ataque ao Brasil, que ela procure corrigir o estrago que fez”, disse. “Não podemos misturar ideologia com economia, e menos ainda alinhar setores da sociedade contra a soberania nacional”, completou.
Trump decidiu ontem tarifar os produtos brasileiros em 50% apesar do superávit comercial dos EUA e da relação comercial histórica entre os dois países. Enquanto o principal produto exportado para o mercado americano é petróleo bruto, seguido por ferro e aço, os EUA exportam para o Brasil principalmente motores, máquinas e combustíveis, setores que podem ser afetados pelo tarifaço.

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