Para chegar à vaga, Marluce contou com um lobby intenso de políticos alagoanos, em especial do sobrinho prefeito, que se aproximou de aliados do governo Lula e participou de eventos do PT para tentar negociar uma indicação.

JHC deu sinais de que uma indicação da tia ao STJ poderia fazer com que ele e sua mãe deixassem o PL para se filiar a um partido da base de Lula —a volta deles ao PSB é a maior possibilidade do momento. A mudança de lado é vista com bons olhos pela ala governista diante da dificuldade para aprovar projetos no Congresso.
Atuação pró-Bolsonaro em 2022
O prefeito de Maceió deixou o PSB entrou no PL na semana após o primeiro turno da eleição presidencial, surpreendendo a todos ao aparecer ao lado do então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. Maceió foi a única capital do Nordeste em que Lula foi derrotado.
Ele fez intensa campanha para o ex-presidente em 2022, inclusive pedindo votos em palanque montado em uma igreja evangélica da capital, ao lado de Michele Bolsonaro e Damares Alves. “Essa também é uma guerra espiritual. Estamos perto da vitória porque essa vitória é Dele [de Deus]”, disse, incorporando o discurso de “bem contra o mal” pregado pelas visitantes.
Apesar da campanha no segundo turno, JHC não embarcou no bolsonarismo raiz após a eleição e é visto como uma figura mais ligada ao “centrão”. Por exemplo: ele ignorou os atos a favor e a presença de Bolsonaro nas visitas em Maceió após deixar o cargo.

Por que a demora?
A indicação de Marluce demorou porque Lula —que se falas que queria nomeá-la desde o recebimento da lista por ser a única mulher— pretendia chegar a um acordo entre os dois maiores nomes nacionais da política alagoana: o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Arthur Lira (PP), o que nunca ocorreu.
O maior entrave está justamente no futuro de JHC, que tem sinalizado que gostaria de concorrer ao governo, o que desagrada aos Calheiros, que têm o nome do ministro e ex-governador Renan Filho (MDB) como favorito para a disputa.
Em entrevista em julho, durante solenidade em Arapiraca (AL), Renan Filho confirmou que vai sair do governo Lula em abril de 2026 para ficar apto para concorrer à vaga de governador de Alagoas, cargo que ocupou entre 2015 e 2022.
No acordo que os Calheiros queriam, JHC disputaria uma das duas vagas ao Senado de Alagoas, em uma aliança branca com Renan pai —ambos não indicariam mais nomes para a chapa, a fim de não prejudicar a candidatura um do outro. Entretanto, pesa contra o fato de que JHC construiu sua carreira em oposição e com críticas aos Calheiros.
Desistir de disputar o Executivo, porém, fere um acordo que ele tem com Arthur Lira, que pretende disputar o Senado em uma chapa com JHC ao governo. Com a forte concorrência e sem um nome na cabeça da chapa, Lira deve deixar o sonho da disputa ao Senado para o futuro, concorrendo assim à reeleição para deputado federal —onde a vitória dele é dada como certa.

Quem é a nova ministra
Maria Marluce Caldas Bezerra é formada em direito pela Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e ingressou no MP-AL como promotora de Justiça em 1986, onde fez história como a primeira mulher a participar de um júri popular em Maceió no papel de acusadora.
Além da carreira na promotoria, também foi secretária de Estado de Emprego e Renda, em 2001; e secretária de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, em 2010.
Em outubro de 2021, Marluce Caldas tomou posse no cargo de procuradora de Justiça, sendo a terceira mulher a ascender ao cargo no MP-AL.

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