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Em conversas com aliados, Tarcísio diz que estão “supervalorizando” o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao atribuírem a ele o “tarifaço” americano.
O problema é que Eduardo vinha colhendo os dividendos políticos de outras pancadas do trumpismo no Brasil como as postagens de Trump a favor de Jair Bolsonaro (PL) ou as ameaças de sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Agora fica difícil para o lobby bolsonarista se dissociar de uma medida que não vai contra Moraes, mas contra o Brasil.
Eduardo tem ambição de ser o sucessor do pai, que está inelegível, como candidato a presidente ou como vice em 2026.
Tarcísio diz a aliados que está focado na reeleição em São Paulo, mas vem sendo empurrado pelo centrão e pelo empresariado para tentar a Presidência.
Caciques do centrão dizem que Eduardo carregaria uma enorme rejeição como vice de Tarcísio e o prejudicaria no embate com Lula. O nome preferido para compor a chapa com o governador paulista é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Se o pleito fosse hoje, Trump teria dado uma ajuda importante à reeleição de Lula, como aconteceu no Canadá ou na Austrália.
A questão é que falta um ano e meio para as urnas serem abertas.
Ciente disso, Tarcísio, ao mesmo tempo em que defende Bolsonaro para não contrariar a extrema direita, vai tentando colocar a culpa no governo Lula.
Na visão do governador, existe um “erro” na diplomacia brasileira que não aproximou Lula de Trump. O presidente brasileiro é praticamente o único chefe do G20 que não estabeleceu qualquer tipo de relação pessoal com o americano.
Trump é intragável para a esquerda, mas a “realpolitik” exige falar com todos. Foi o que fizeram os presidentes do México, da Rússia, entre vários outros. Ainda mais com um presidente americano tão personalista.
Se o “tarifaço” americano efetivamente for aplicado e houver uma restrição de capital para o Brasil e empregos começarem a ser perdidos, a reação da população pode mudar de “defesa da soberania” para um “mal-estar” com o governo.
Tarcísio, no entanto, também carregará até 2026 a imagem de ter posado com o boné de Trump.

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