Governo finaliza decreto para retaliar Estados Unidos se for necessário

O governo brasileiro quer entender se os Estados Unidos estão interessados em seguir negociando em nível técnico, depois de colocar um componente político na discussão.

Trump atrelou a sobretaxa à anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em julgamento por tentativa de golpe de Estado.

A atitude foi considerada uma afronta à soberania do país e está fora de cogitação.

Segundo uma fonte da diplomacia brasileira, o país está disposto a negociar tecnicamente redução de tarifas de bens com os americanos se mostrem interessados.

RETALIAÇÃO CRUZADA

Uma possibilidade que também está sendo discutida é a “retaliação cruzada”. A derrubada de patentes já está prevista na Lei de Reciprocidade aprovada no Congresso.

Conforme uma fonte com acesso às discussões, três setores podem se tornar alvos: big techs, patentes de medicamentos e direitos de propriedade intelectual.

No caso das “big techs”, o Brasil poderia adotar medidas como elevar restrições para operar no país ou aumentar o pagamento de dividendos. Hoje esse é um dos setores mais influentes junto ao governo americano.

Existe uma percepção no governo e no setor privado que as “big techs” americanas pressionaram Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, tornando-se co-responsáveis pelo “tarifaço” contra o Brasil. Aumentar seus custos no país seria, portanto, uma forma de “back fire” – sua estratégia se voltar contra elas.

Outras alternativas seriam quebrar patentes de medicamentos e os direitos autorais de filmes, livros e música. As “big pharmas” também possuem um lobby muito influente em Washington, enquanto o setor de direitos autorais faz barulho mas não movimenta tantos recursos.

“A retaliação em bens é muito ineficaz, porque o Brasil importa equipamentos e parte e peças. Logo o aumento de tarifas prejudica a indústria brasileira”, avalia Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. “Já a retaliação cruzada pode incomodar o governo americano e acionar setores como forte lobby em Washington”.

REUNIÃO COM SETORES

O governo brasileiro também vai chamar os setores mais afetados pelas sobretaxas americanas como suco de laranja, aço, máquinas e equipamentos, aviões (Embraer), entre outros.

Os setores esperam que o Brasil consiga, pelo menos, suspender a adoção das tarifas, previstas para primeiro de agosto, e abrir nova rodada de conversas. Foi a estratégia utilizada por outros países como Reino Unido, China e Canadá.

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