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O estudo mostrou disparidades significativas na percepção da violência escolar entre diferentes grupos. Entre os jovens de até 24 anos, 15% responderam que conhecem adolescentes ou crianças que foram vítimas de violência na escola, enquanto entre os idosos de 60 anos ou mais, apenas 3% relataram essa situação. A percepção também é maior nas capitais e regiões metropolitanas do que no interior do país, e é mais alta entre evangélicos do que entre católicos.
A pesquisa foi apresentada no contexto de um caso recente no Rio Grande do Sul, onde um adolescente invadiu uma escola e atacou várias crianças e uma professora, resultando na morte de uma criança.
“Eu acho que isso daqui se encaixa numa coisa que o próprio Fórum vem falando faz tempo, sobre o aumento de uma violência difusa na sociedade brasileira que contrasta com a queda dos índices de homicídio”, analisa Toledo. “Você tem uma queda do índice de homicídio em quase todo o país, mas ao mesmo tempo a percepção de violência aumenta. Por quê? Porque ela se dá na escola, se dá em casa, no caso da violência sexual, se dá na rua, no roubo do celular, se dá na fraude eletrônica cada vez mais. Então a percepção de insegurança cresce apesar de os indicadores oficiais caírem”, completa.
A situação específica do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, exemplifica onde as crianças enfrentam um tipo diferente de violência. Thais Bilenky comenta o fato que aconteceu nesta quinta-feira, às cinco da manhã, quando começou uma operação com veículos blindados e troca de tiros no local – a décima primeira operação apenas naquele ano. Das 49 unidades escolares da região, 29 tiveram as atividades suspensas.
Tainá Alvarenga, coordenadora do Eixo de Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré, acompanha essas operações desde 2016. Segundo uma projeção feita pela organização, uma criança que nasce na Maré, até completar o ciclo letivo do ensino médio, perderá no total dois anos de aula em consequência de operações policiais e conflitos entre grupos armados.
“Só neste ano agora, já houve 35 dias de aulas suspensas por conta de operação policial lá dentro. E, neste ano também, 93 violações a domicílios que foram mapeados ao longo das operações”, informa Bilenky, citando dados da coordenadora.
Durante essas operações, são relatados casos de agressão verbal, agressão física e ações de intimidação. “Tem relatos de policiais ou agentes de segurança que entram nas casas, quebram brinquedos ou objetos das casas. Eventualmente, levam objetos, subtraem pertences e, às vezes, abrem a geladeira e comem, se alimentam do que encontram”, descreve a colunista do UOL.
Um relato particularmente marcante envolveu três crianças brincando na frente de casa durante uma operação que aconteceu há mais tempo: “O policial pega o iogurte da mão das crianças, toma um pouquinho, joga o resto no chão e vai embora. É uma brutalidade com uma criança que é inominável”, lembra Bilenky.
Uma pesquisa realizada em 2020 sobre a primeira infância na Maré ouviu duas mil pessoas, das quais 819 (38%) responderam que as crianças sob seu cuidado já presenciaram algum tipo de violência. Dessas, 40% eram crianças de 0 a 6 anos.
“A primeira infância é um momento crucial no desenvolvimento daquelas pessoas, é o ápice de elasticidade do cérebro. E situações de trauma impactam a vida dessas pessoas ao longo da vida”, alerta Bilenky.
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