Suco e café têm forte alta na bolsa um dia após ‘tarifaço’ de Trump

O anúncio do governDreo dos Estados Unidos de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros fez os contratos futuros de café e de suco de laranja subirem na quinta-feira (10/7) na Bolsa de Nova York. Os EUA são o principal mercado para o suco e café do Brasil, e a taxação pode inviabilizar as exportações, afetando a oferta das commodities.

Os contratos de suco de laranja para setembro dispararam — a alta foi de 6,03% (1.500 pontos), para US$ 2,6385 por libra-peso. Os de café com o mesmo vencimento subiram 1,32% (375 pontos), e fecharam a US$ 2,8780 por libra-peso.

O Brasil exportou aos EUA 41,7% dos volumes de suco de laranja embarcados na safra 2024/25, encerrada em 30 de junho, o que gerou faturamento de US$ 1,31 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela CitrusBR. A entidade reúne os principais exportadores do setor, como Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus.

De acordo com o diretor-executivo da entidade, Ibiapaba Netto, a nova alíquota representaria alta de 533% sobre os US$ 415 por tonelada já cobrados sobre o suco brasileiro. Com isso, cerca de 72% do valor do produto passaria a ser recolhido em tributos.

Para a CitrusBR, esse nível de tributação inviabiliza as exportações aos EUA. “Trata-se de uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto”, disse.

Os EUA também são o maior mercado para o café brasileiro — 30% do que os americanos importam vêm do Brasil. De janeiro a maio deste ano, o país foi destino de 166,4 mil toneladas de café brasileiro, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Segundo Guilherme Morya, analista de café do Rabobank, a imposição da tarifa pode beneficiar concorrentes do Brasil como Colômbia, Honduras e Vietnã. “Essa medida pode reconfigurar os fluxos do comércio internacional de café, com impactos para produtores, exportadores e consumidores”, afirmou.

Morya acrescentou que a tarifa pode impactar negativamente o consumo. “Apesar da recente queda nos preços [em Nova York], o consumo segue pressionado por fatores inflacionários e econômicos. Um aumento de 50% nos custos pode agravar esse cenário, tornando o café um produto menos acessível ao consumidor”, disse.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que, para cada US$ 1 importado em café, a economia americana gera US$ 43 em retorno. O setor exportador está em negociação com o governo brasileiro e com representantes da cadeia cafeeira dos EUA, por meio da National Coffee Association (NCA), em busca de condições tarifárias mais favoráveis.

Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, disse que há precedentes para tarifas diferenciadas para itens que não são produzidos em solo americano, como o café. “É bem imprevisível, mas a palavra de ordem neste momento é negociação”.

Gráficos mostram trajetórias dos preços de café e suco de laranja na Bolsa de Nova York — Foto: Valor Econômico
Gráficos mostram trajetórias dos preços de café e suco de laranja na Bolsa de Nova York — Foto: Valor Econômico

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