A disputa pública entre os presidentes Lula e Donald Trump pela questão tarifária prejudica o Brasil em sua negociação com os Estados Unidos, e a melhor maneira de solucionar o problema é agindo de forma técnica pelas vias diplomáticas, analisou Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, em entrevista ao Mercado Aberto de hoje.
O Lula está jogando com a paciência. O mecanismo chave para ele é não deixar essa disputa pública, porque os dois, tanto Lula quanto Trump, eles amam as câmeras, eles amam o microfone, mas isso prejudica qualquer processo de negociação.
O ideal para o Brasil é ignorar o aspecto político e tratar de uma forma totalmente técnica e principalmente pelas vias privadas e diplomáticas.
Thiago de Aragão
O presidente Lula determinou a criação de um comitê interministerial para conversar com os setores mais afetados pela sobretaxa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros.
Lula disse também que se reunirá pessoalmente com empresários para tratar do tema a partir do levantamento inicial de cada setor.
O analista Thiago de Aragão ressaltou que a negociação comercial entre Brasil e Estados Unidos seria a mesma independentemente da taxação imposta por Donald Trump, já que é uma comercialização tarifária.
A negociação é exatamente igual se a tarifa fosse 30, 25, 21, 18 e exatamente igual se não tivesse nenhuma menção a Bolsonaro, a Supremo, Alexandre de Moraes, etc. Porque no fundo é isso que importa, todos os mecanismos de negociação que foram dados pelos Estados Unidos, eles recaem exclusivamente numa negociação tarifária.
É uma decisão que o governo brasileiro vai querer fazer, que é uma decisão de identificar quais setores ou quais tipos de flexibilização o governo brasileiro estaria disposto a fazer para poder negociar com os Estados Unidos.
Thiago de Aragão
O CEO da Arko Internacional concluiu dizendo que há algumas alternativas sobre a mesa, e falou que as tarifas de Trump não dão de todo mal para Lula, citando os motivos.
“Existem inúmeras alternativas na mesa. Para o Lula pessoalmente, as tarifas não são de todo uma questão horrível, porque, primeiro, está cada vez mais claro que o envolvimento, o apreço pessoal que é colocado na carta em relação ao Bolsonaro, ajuda o Lula numa questão de colocar a culpa em cima do ex-presidente brasileiro.”
Segundo, a China já iniciou movimentações em cima do Brasil para tentar, não só absorver parte dessa produção, mas também para poder, de alguma forma, negociar ou até ampliar o mercado brasileiro em relação aos próprios Brics.
E terceiro, existem alguns produtos que de fato são muito problemáticos, que eles não seriam exportados dos Estados Unidos, mas existem outros que o governo brasileiro poderia olhar até com bons olhos, de você ter determinados produtos abastecendo o mercado brasileiro forçando o preço para baixo.
Thiago de Aragão
O Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta-feira no UOL às 8h, com apresentação de Amanda Klein, antecipando os principais movimentos do mercado financeiro.
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