Reuniões mensais turbinam salário de secretários de SP em até R$ 19,6 mil

Secretários estaduais nomeados pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), turbinam os próprios salários com pagamentos extras que fazem seus vencimentos chegarem a quase R$ 70 mil mensais.

O que aconteceu

Penduricalhos adicionam quase R$ 20 mil a mais nos salários, em alguns casos. O bônus, conhecido no jargão da administração pública como “jetons”, é pago para que os secretários atuem como conselheiros em entidades públicas. Alguns deles acumulam participação em mais de um conselho, o que ajuda a aumentar a renda mensal. A função dos secretários nesses conselhos consiste, basicamente, em participar de uma reunião por mês, que pode ser on-line.

Pelo menos 11 dos 25 secretários estaduais recebem jetons. A informação foi publicada pelo site Metrópoles e confirmada pelo UOL com base em dados publicados no Portal da Transparência do governo estadual.

Renda bruta ultrapassa os R$ 50 mil com jetons. Atualmente, um secretário estadual recebe R$ 32.671,36 como salário, mas pelo menos quatro deles ganham R$ 19,6 mil adicionais nos dois conselhos de empresas públicas onde têm assento, o que engorda seus vencimentos. São os casos de Guilherme Afif Domingos (Projetos Estratégicos), Arthur Lima (Casa Civil), Andrezza Rosalém (Desenvolvimento Social) e Samuel Kinoshita (Fazenda).

Salário de Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança Pública, chega a quase R$ 70 mil com penduricalhos. Além de receber R$ 46,3 mil como deputado federal licenciado, ele também acumula R$ 9,6 mil da aposentadoria como policial militar e ganha quase R$ 6,6 mil de cada um dos dois conselhos de administração dos quais participa no governo estadual. A soma dos valores garante a Derrite uma renda mensal bruta de R$ 69,1 mil.

Controlador-Geral do Estado, Wagner Rosário, chega a quase R$ 58 mil mensais com acúmulo de salários. Ex-ministro da Controladoria-Geral da União no governo Bolsonaro, Rosário, servidor de carreira da CGU, ganha R$ 33 mil do órgão, mais R$ 11,7 mil como titular da CGE paulista e R$ 13,1 mil com jetons.

Pagamentos fazem secretários ganharem mais que o governador. O salário de Tarcísio chegou a R$ 36.301,53 com o último reajuste, de 5%, aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) em maio.

Os penduricalhos permitem que secretários recebam supersalários. Como não são considerados parte da remuneração, os jetons não entram no chamado “abate-teto”, que desconta a parte dos vencimentos que excede o teto do funcionalismo estadual, que é igual ao salário do governador.

Secretários são indicados para entidades sem ligação com suas áreas de formação. Derrite, por exemplo, é conselheiro fiscal do Metrô e da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), embora atue na área da segurança. Com experiência na área de Comunicação, a secretária de Comunicação, Laís Vita, é conselheira de administração das Docas de São Sebastião, que administra o porto daquela cidade.

O UOL procurou o governo do Estado. Se houver resposta, o texto será atualizado.

Veja abaixo os vencimentos dos secretários que recebem jetons*

  • Guilherme Muraro Derrite (Segurança Pública) – R$ 69.193,32 (inclui renda como deputado e PM)
  • Wagner de Campos Rosário (Controladoria-Geral do Estado) – R$ 57.955,64 (inclui renda como servidor da CGU)
  • Guilherme Afif Domingos (Projetos Estratégicos) – R$ 50.860,96
  • Arthur Luis Pinho de Lima (Casa Civil) – R$ 50.860,96
  • Andrezza Rosalém Vieira (Desenvolvimento Social) – R$ 50.860,96
  • Samuel Yoshiaki Oliveira Kinoshita (Fazenda) – R$ 50.860,96
  • Rafael Antonio Benini (Parcerias) – R$ 47.570,06
  • Jorge Luiz De Lima (Desenvolvimento Econômico) – R$ 40.988,27
  • Natalia Resende (Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) – R$ 40.988,27
  • Lais Vita (Comunicação) – R$ 40.988,27
  • Marco Antonio Assalve (Transportes Metropolitanos) – R$ 40.988,27
  • Marilia Marton Correa (Cultura) – R$ 37.697,37

*Cálculo leva em conta salário bruto de R$ 31.115,58 referente a maio, último mês com dados disponíveis no Portal da Transparência.

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