Torres pode ter forjado passagem para justificar ausência no 8/1, diz PGR

Nas alegações finais do processo da trama golpista, a PGR (Procuradoria-Geral da República) afirma haver indícios de que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres forjou a passagem aérea que apresentou à Justiça para justificar sua ausência do país durante os atos golpistas de 8 de janeiro.

O que aconteceu

Ex-ministro da Justiça na gestão Bolsonaro, Torres era secretário de Segurança do DF em 8 de janeiro de 2022. Nessa data, porém, ele estaria fora do país em uma viagem de férias supostamente marcada com antecedência de meses. Nas alegações finais do processo da trama golpista, no entanto, a PGR revelou que a passagem apresentada pela defesa dele à Justiça parece ser falsa – o que pede providências adicionais.

Advogados de Anderson Torres apresentaram print de emissão de passagem aérea em novembro de 2022. A PGR questionou a companhia Gol. A empresa afirma que o número de reserva exibido no documento não é o que Anderson Torres diz ser, e que o acusado sequer estava naquele voo.

Não foram identificados voos no trecho Brasília/Orlando, voo G3-9460 em nome de Anderson Gustavo Torres.
Gol Linhas Aéreas à Procuradoria-Geral da República

Para PGR, descoberta é “escandalosa” e deve justificar abertura de procedimento adicional para investigação. A possível falsidade do documento, segundo o órgão, confirma a estratégia proposital de Torres de se afastar e consentir com os atos golpistas.

Torres nem avisou o governo do Distrito Federal que estaria fora naquela data. Em depoimento, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse que foi surpreendido com a viagem de Torres, e que só ficou sabendo da ausência do secretário no dia dos atos golpistas. Para ele, houve uma “quebra de confiança” que justificou a exoneração de Torres do cargo.

PGR pediu a condenação de Torres, Jair Bolsonaro e outros seis aliados, por crimes que podem somar mais de 40 anos de prisão. Eles são acusados de organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Além da acusação de omissão durante os atos golpistas, pesam contra Torres outras provas. Entre elas, o rascunho de decreto que instituiria um golpe no país – a chamada minuta golpista -, encontrado na casa dele, e a participação em reuniões em que se discutiu as blitze no dia da votação para dificultar a chegada de eleitores às urnas em lugares favoráveis ao presidente Lula (PT).

Defesa de Torres agora terá 15 dias para se manifestar no processo. Depois desse prazo, que vale para todos os réus, o STF (Supremo Tribunal Federal) vai marcar a data do julgamento das acusações.

Só quando o julgamento acabar é que Bolsonaro, Torres e os demais podem ser condenados. Uma eventual prisão depende do tamanho da pena e da análise de todos os recursos.

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