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O governo Trump se tornou até um amigo do meio ambiente em sua sanha contra o Brasil. O que vai ser investigado? O STR detalha:
“Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: o Brasil pode prejudicar a competitividade de empresas americanas que atuam nesses setores, por exemplo, retaliando-as por não censurarem discursos políticos ou restringindo sua capacidade de prestar serviços no país;
Tarifas preferenciais injustas: o Brasil concede tarifas preferenciais mais baixas às exportações de certos parceiros comerciais globalmente competitivos, prejudicando assim as exportações dos EUA;
Aplicação anticorrupção: a falha do Brasil em aplicar medidas anticorrupção e de transparência levanta preocupações em relação às normas relativas ao combate ao suborno e à corrupção;
Proteção da propriedade intelectual: o Brasil aparentemente nega proteção e aplicação adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual, prejudicando trabalhadores americanos cujos meios de subsistência estão vinculados aos setores norte-americanos impulsionados pela inovação e criatividade;
Etanol: O Brasil abandonou sua disposição de oferecer tratamento praticamente isento de impostos para o etanol dos EUA e, em vez disso, agora aplica uma tarifa substancialmente mais alta às exportações de etanol dos EUA; e
Desmatamento ilegal: O Brasil parece não estar aplicando efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, prejudicando assim a competitividade dos produtores americanos de madeira e produtos agrícolas.”
RETOMO
Você pode ter ficado com a impressão de que a balança comercial e de serviços dos EUA com o Brasil é deficitária. Mas, como se sabe, não é. De 2009 a esta data, o déficit do Brasil é de mais de US$ 400 bilhões. Então o que explica o despropósito? “Ah, é que o Brasil não quis conversar com os EUA…” É mentira. As negociações estão em curso desde o momento em que Trump anunciou a tarifaço geral.
Isso tem algo a ver com Bolsonaro e com o “trabalho” de Eduardo nos EUA? Tem e não tem. Não há dúvida de que existem afinidades ideológicas entre o candidato a tirano daqui e o de lá e de que Trump gostaria de estabelecer nestas plagas um governo títere, que funcionasse como um seu satélite. Mas acho que até ele próprio duvida que consiga o intento em favor de seu candidato a boneco de mamulengo.
Desde o dia em que aquela carta destrambelhada veio a público, observei que Trump usava Bolsonaro como o seu Bozo de estimação. É o seu brinquedinho que serve de pretexto para tentar impor os interesses dos EUA ao Brasil e para proteger alguns setores da economia americana.
SERÁ TUDO APEGO AOS BOLSONAROS?
“Ah, mas por que, com este país, tudo parece muito mais severo? Será só apego aos Bolsonaros?” Isso precisa ser posto em perspectiva.
Saibam: nos países mundo afora sujeitos à tarifação imposta pelo destrambelhado, não se viram facções de direita com representação nos respectivos Parlamentos e líderes “conservadores” alinhados com Trump. Ao contrário: a repulsa às imposições uniu adversários, que continuaram a divergir sobre o resto, mas não sobre medidas que, afinal, são ruins para todo mundo.
Por aqui, as coisas são diferentes. O presidente norte-americano percebeu que há uma súcia de sabujos, de gente mequetrefe, de vagabundos morais, que, para travar a guerra política interna, aceita a interferência de um governo estrangeiro nos assuntos internos e a linguagem da ameaça, da intimidação, da chantagem, do achaque. Qual foi a reação de Bolsonaro dois dias depois do anúncio das tarifas? Disse que via decisão de Trump com “grande responsabilidade”. E exaltou as suas virtudes.
COMUNICADO ASQUEROSO DA CNA
Ainda ontem, a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que se transformou um aparelho do bolsonarismo, propagadora do reacionarismo mais abjeto, publicou um comunicado em que houve por bem atacar o governo brasileiro e o Judiciário, classificando os anúncios de Trump de “simbólicos”. É um amontoado de aberrações.
É evidente que a abertura da investigação com base da Seção 301 vai muito além do apego de Trump por Bolsonaro. Ele percebeu que pode usar o ex-presidente e seus seguidores como seus agentes internos, a exemplo do que faziam os nazistas com os colaboracionistas nos países que iam caindo sob as suas garras. A República de Vichy contava com a Milícia Francesa, por exemplo, que podia ser tão violenta como a nazistada da França ocupada.
Eis aí. Um dos alvos especiais da abertura de investigação é justamente o agro brasileiro, também o setor que mais pode sofrer com as tarifas. Sugiro que o comando da CNA vá hoje tocar flauta para Bolsonaro e seus seguidores. Esse sindicato representa os interesses dos produtores brasileiros? De qual setor?
ENCERRO
Tarcísio de Freitas, que anunciou a disposição de iniciar negociações paralelas com os entes federados dos EUA, pretende marcar um encontro com o governador, sei lá, do Wyoming para debater a Seção 301? Ah, sim: se der tudo errado por aqui, os chefões da CNA podem ir para lá para tirar leite de urso, bizonte e lobo. Além de se fartar com as vastas pastagens quando não estiverem cobertas de neve.

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