Em crise com Congresso, Lula cobra esquerda: 'O povo está entendendo?'

O presidente Lula (PT) cobrou hoje reflexão e mudanças na esquerda em busca de um crescimento no Congresso, onde o governo tem tido dificuldade constante para aprovar pautas, durante o 60º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), em Goiânia.

O que aconteceu

Ontem foi mais um dia conturbado entre governo e Congresso. De um lado, Lula vetou o projeto de lei que amplia o número de deputados federais, aprovado pelo Legislativo, e, de outro, foi retaliado com pauta-bomba de R$ 30 bilhões e com a mudança de regras no licenciamento ambiental.

“Nós achamos que o nosso discurso é o verdadeiro. Será que o povo está nos compreendendo? Será que está nos entendendo?”, questionou Lula aos estudantes e movimentos sociais, grande maioria de esquerda. “Porque uma estratégia para a gente poder aprovar tudo o que a gente quer é a gente ter uma maioria no Congresso Nacional.”

O petista reclama de não ter maioria nas duas Casas desde o começo do mandato. O veto à ampliação dos números de deputados e o enfrentamento sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), inclusive, têm sido vistos por petistas como uma mudança na postura do presidente, que decidiu tomar uma atitude mais explícita e combativa. A oposição, por sua vez, chama de “populismo eleitoral”.

É preciso o PT se perguntar por que o PT, que é capaz de eleger um presidente da República cinco vezes, Lula e Dilma [Rousseff], só fez 70 deputados federais [em 2022]? Por que o PCdoB fez tão poucos deputados federais? Por que o PSB fez tão poucos deputados federais?
Lula, em questionamento à esquerda

Lula quis dar um recado aos movimentos sociais. “Se quisermos mudar o Brasil para colocar em prática aquilo que a gente pensa, vamos ter de mudar as atitudes. É preciso trabalhar um pouco mais. O debate não pode ser feito só nas universidades, tem de sair das universidades e ir para a rua”, disse o presidente.

A mudança aprovada nas duas Casas ampliaria de 513 para 531 o número de parlamentares na Câmara dos Deputados. O custo anual estimado é de R$ 64,6 milhões. O acréscimo de cadeiras era justificado por uma correção entre “desproporções” de representatividade entre os estados, com as mudanças demográficas registradas no último Censo.

A decisão bate de frente com o Legislativo e deverá estimular ainda mais o “nós contra eles”, amenizado em meio à crise com os Estados Unidos. Segundo petistas, o governo deverá assumir o discurso de que houve “anseio popular” e que não poderia chancelar um aumento de gastos enquanto promove cortes em tantas áreas.

Antes do ato, Lula se encontrou com um grupo de sobreviventes de um acidente com um ônibus de estudantes da UFPA (Universidade Federal do Pará). O veículo seguia para o evento na BR-153, quando colidiu com uma carreta que invadiu a contramão. Cinco pessoas —três delas, estudantes— morreram.

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