Brasileiro confia menos em tudo – até na família, revela Ipsos-Ipec

Pesquisa Ipsos-Ipec sobre confiança do brasileiro em instituições
Pesquisa Ipsos-Ipec sobre confiança do brasileiro em instituições Imagem: Ipsos/Ipec

O Ipsos-Ipec transforma a pesquisa em três índices: 1) confiança nas instituições, 2) confiança em pessoas e grupos sociais e 3) a média dos dois anteriores, chamada de Índice de Confiança Social (ICS).

O ICS caiu 4 pontos de 2024 para 2025. As últimas vezes em que houve uma queda desse tamanho foram em 2018 (ano da eleição de Bolsonaro) e em 2015 (ano dos protestos contra Dilma, que levaram ao impeachment no ano seguinte). Queda maior do que 4 pontos só houve uma vez, em 2013 (ano dos protestos em massa, quando caiu 7).

Também caiu 4 pontos o indicador de confiança restrito às 20 instituições avaliadas: de 60 para 56 pontos numa escala de 0 a 100, em que zero equivale a total desconfiança, e 100, a confiança absoluta.

O indicador de confiança interpessoal avalia a confiança em pessoas da própria família do entrevistado, em seus amigos, em seus vizinhos e nos brasileiros em geral. Na média, confiança interpessoal caiu 3 pontos. As únicas quedas equivalentes aconteceram em 2020 na pandemia (de 67 para 64 pontos) e nas jornadas de 2013 (de 70 para 67 pontos).

A queda da confiança foi de 3 pontos em pessoas da família, de quatro pontos (65 para 61) nos amigos, de 2 pontos nos vizinhos (de 57 para 55) e de 3 pontos (54 para 51) nos brasileiros em geral.

As mudanças foram em sentido oposto para ricos e pobres. A confiança interpessoal entre pessoas das classes de consumo D e E foi na contracorrente e aumentou 2 pontos desde o ano passado (60 ara 62). Já nas classes A/B e C, caiu 4 pontos.

No médio prazo, a tendência é de queda da confiança para todos os grupos sociais e para a grande maioria das instituições. Nos últimos 15 anos, a confiança em pessoas da família, por exemplo, caiu de 91 para 79 (menos 12 pontos). Nos meios de comunicação, a perda foi ainda maior, de 71 para 54 pontos (menos 17 pontos).

O Ipec faz a pesquisa anualmente desde 2009. O instituto pergunta a uma amostra representativa da população brasileira adulta se tem “muita confiança”, “alguma confiança”, “quase nenhuma confiança” ou “nenhuma confiança” em cada uma das instituições e grupos de pessoas. As respostas são transformadas em índices, não são percentuais.

Pode-se dizer que quando o índice de uma instituição cai abaixo de 50, ela provoca mais desconfiança do que inspira confiança na população. Até o ano passado, apenas quatro instituições haviam cruzado esse limiar: presidente da República, sindicatos, Congresso Nacional e partidos políticos. Em 2025, somaram-se ao grupo sub-50 o Poder Judiciário e o governo federal.

Porém, a queda foi geral. Mesmo instituições nas quais os brasileiros confiam mais do que desconfiam sofreram desgaste grande: 7 pontos a menos para organizações da sociedade civil, 6 pontos a menos para polícia, empresas e bancos, por exemplo.

A perda de confiança nas instituições é perigosa para a democracia. Estudo apresentado no congresso mundial de opinião pública por Marcia Cavallari, diretora do Ipsos-Ipec, revela que existe uma forte correlação entre confiança institucional e satisfação com o sistema democrático.

A Justiça eleitoral, o Poder Judiciário e o presidente da República estão entre as instituições cuja descrença influencia mais negativamente o que os brasileiros pensam do regime democrático. Perda de confiança nelas é especialmente perigosa para a satisfação com a democracia e, logo, para a estabilidade do país.

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