Como Eduardo Bolsonaro convenceu a Casa Branca a agir contra o Brasil

Segundo apuração de Bilenky com aliados da dupla no movimento MAGA (Make America Great Again), eles pretendiam atingir o ministro Alexandre de Moraes, familiares e colegas do Supremo Tribunal Federal, buscando sanções que os demovessem de prosseguir com o julgamento e eventual condenação de Bolsonaro.

Para se aproximarem de Rubio, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo buscaram contato com congressistas republicanos da Flórida, estado do secretário de Estado. Aliaram-se à deputada Maria Salazar, de origem cubana, que exibiu uma foto de Alexandre de Moraes no Congresso americano – imagem que “para o MAGA virou icônica”, diz a colunista.

Outro nome-chave na articulação foi o senador Rick Scott, também da Flórida, “com quem Paulo Figueiredo se gaba de trocar zap”, segundo Bilenky. O deputado Chris Smith, o mais antigo da Câmara dos Representantes americana, com 45 anos de Casa, também entrou na jogada após ouvir o depoimento de Paulo Figueiredo sobre a suposta censura no Brasil.

A operação ganhou força em junho, quando Eduardo Bolsonaro, ao lado do deputado Filipe Barros (PL-PR), se reuniu com o republicano Cory Mills. Uma semana depois dessa reunião, Mills fez uma entrevista com Marco Rubio perguntando se os Estados Unidos aplicariam sanções ao Brasil. “É aquela primeira vez em que o Rubio admite e diz ‘sim, é bem possível que isso aconteça’, e aí muda o jogo”, relata a colunista do UOL.

O plano previa dois cenários: que o material contra o STF chegasse diretamente a Trump, e ele ao “bater os olhos” agisse em favor de Bolsonaro, ou que percorresse o caminho mais longo por vários escalões do Departamento de Estado até chegar ao Salão Oval da Casa Branca. O segundo cenário se concretizou, mas com um resultado inesperado. “Bolsonaro esperava um ‘tiro de sniper’ dos EUA, mas Trump sacou uma bazuca contra o Brasil com as tarifas”, afirma Bilenky.

A reação inicial de Eduardo foi “mais festiva”, diz Bilenky. “Achou bacana a bazuca”, completa José Roberto de Toledo. Mas logo ficou claro que o tiro havia saído pela culatra. Durante a participação no ‘Paulo Figueiredo Show’, na quarta, véspera da operação, Eduardo Bolsonaro relatou terem feito três reuniões no Departamento de Estado, totalizando mais de cinco horas de conversas com funcionários de alto escalão e tomadores de decisão. E depois um jantar na Casa Branca, para onde voltariam naquele mesmo dia.

Eduardo disse que pediu aos americanos para falarem com o presidente dos EUA: “Presidente Trump, se possível, substitua as tarifas por sanções a determinadas pessoas.” Em outras palavras: “Deu ruim, deu o efeito oposto que a gente queria, muda aí”, ironiza Toledo.

Na entrevista após a operação da PF, Bolsonaro disse que sair do Brasil “é a coisa mais fácil que tem”, e que seu filho está no país norte-americano para lutar por democracia e liberdade. Mas a realidade é que Eduardo Bolsonaro apostou todo seu capital político nessa articulação, numa estratégia que, segundo ele, poderia tanto consagrá-lo como herói quanto esmagar suas ambições políticas. Pelo andar dos acontecimentos, a possibilidade de sucesso é cada vez menor.

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