
O presidente tem insistido na relevância das redes sociais na atual disputa com os EUA e cobrado o avanço do regulamentação. “Liberdade de expressão não se confunde com liberdade de agressão. As redes digitais não são uma terra sem lei, onde é possível tentar impunemente contra a democracia, incitar o ódio e a violência”, declarou.
Ele já havia abordado os dois assuntos mais cedo. Durante a reunião, ele disse que há uma “ofensiva antidemocrática internacional” sem citar Trump diretamente e também pediu regulamentação das redes.
Sem mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou sua família, também criticou a direita brasileira. “A extrema direita latino-americana é subserviente e saudosa de antigas hegemonias. É antissoberana e abdica da autodeterminação dos povos. Essa é a principal ameaça à construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo”, afirmou Lula.
O encontro não foi marcado por causa das últimas ações de Trump, mas o evento ganhou uma nova dimensão nos últimos dias. Além das tarifas contra o Brasil e da revogação dos vistos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), também houve investidas contra a Colômbia e barreiras comerciais contra o cobre do Chile.
Lula tem tentado emplacar o discurso de defesa da soberania nacional tanto aqui quanto em outros países. O Planalto tem visto nos anúncios e ações de Trump como uma forma de unir setores geralmente segregados em torno de uma pauta única (e próxima do governo).
Ele também aproveitou a fala pra pleitear pautas internas do governo. “Sem justiça tributária, as distorções, como sempre, continuarão em favor do grande capital e dos bilionários”, afirmou Lula, citando indiretamente a reforma fiscal, principal tema econômico do seu terceiro mandato.
O evento foi convocado pelo Chile. Além de Lula, participam o anfitrião Gabriel Boric e os presidentes Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai), todos do campo progressista.
Não à toa, Lula voltou seu discurso a lideranças progressistas e de esquerda. “Somos herdeiros de longa tradição que vem das lutas de independência, da abolição da escravidão, da conquista de direitos trabalhistas e do voto universal”, disse.
A cúpula ofereceu poucos efeitos práticos. Após a reunião, nesta tarde, os cinco países divulgaram um comunicado conjunto que resumia tais pautas e se colocavam contra a “ofensiva internacional da extrema direita”, porém sem revelar ações específicas que possam ser executadas.
Os países pretendem continuar os encontros. Segundo Lula, uma nova reunião deverá ser realizada em Nova York, no período da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro, e outra edição no ano que vem, na Espanha.
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