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- violações de direitos humanos (incluindo liberdade de expressão e de imprensa);
- violação da jurisdição americana, com ações contra cidadãos e residentes dos EUA (“US persons”, no termo legal do país) e empresas americanas;
- ataques do governo brasileiro a companhias dos Estados Unidos.
O objetivo do grupo é pressionar o governo dos EUA a enquadrar Moraes na Lei Magnitsky, permite que o governo americano adote sanções migratórias, financeiras e comerciais contra autoridades que cometam violações de direitos humanos ou envolvidas em casos graves de corrupção.
Caso seja aplicada, a medida pode resultar no bloqueio total de bens e na proibição de transações com instituições americanas.
Há precedentes contra membros do Judiciário de regimes autoritários, como russos e turcos, em casos que envolviam perseguições políticas, julgamentos fraudulentos ou repressão estatal institucionalizada.
Estratégia vem sendo construída há meses
Esses pontos vêm sendo discutidos há meses com congressistas alinhados a Trump e assessores da Casa Branca.
Como revelou a coluna, a tentativa de revogação dos vistos de Moraes e de seus familiares começou antes mesmo da posse do atual presidente norte-americano, segundo fontes envolvidas na articulação.
Foi Paulo Figueiredo, neto do general e presidente da ditadura militar João Batista Figueiredo, quem facilitou o acesso de Eduardo Bolsonaro a gabinetes em Washington. Ele próprio foi denunciado no processo da trama golpista de 8 de Janeiro e reside nos Estados Unidos desde 2015.
Figueiredo afirma ter participado da primeira campanha de Trump, em 2016, quando conheceu Steve Bannon — de quem se tornou amigo.
Bannon é considerado o principal ideólogo do trumpismo — o equivalente a Olavo de Carvalho para o bolsonarismo — e o arquiteto teórico do movimento Maga (“Make America Great Again”).
“Ele é quem dá a direção que o público Maga segue. O programa dele, War Room, é por onde passam todas as pessoas influentes — inclusive quase todos os ex-secretários de Trump”, afirmou Figueiredo à coluna.
Figueiredo também relata ter trabalhado com Jason Miller em um projeto nos EUA, o que teria aproximado os dois. “É alguém que viveu na pele as ações do Alexandre”, diz.
Assessor pessoal de Trump, Miller foi detido no Brasil, por ordem de Moraes em 7 de setembro de 2021, no contexto das investigações sobre milícias digitais, para prestar depoimento à Polícia Federal.
Na ocasião, Miller se preparava para embarcar de volta aos Estados Unidos no Aeroporto de Brasília, quando foi conduzido às dependências da PF.
A capital era, naquele dia, palco de manifestações em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro. Dias antes, Miller havia participado de um evento conservador em Brasília e se reunido com Jair e Eduardo Bolsonaro.
“[Miller] é alguém que o presidente [Trump] consulta sempre sobre o Brasil”, afirma Figueiredo.
Segundo ele, foi essa rede —composta por ele próprio, Eduardo Bolsonaro, Jason Miller e Steve Bannon —que conseguiu levar a pauta brasileira à mesa de Trump.

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