Ex-assessor nega monitoramento de Moraes e diz que apelido foi brincadeira

O réu Marcelo Costa Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou nesta tarde em interrogatório no STF (Supremo Tribunal Federal) ter monitorado Alexandre de Moraes e disse que o termo “professora”, em referência ao ministro, seria uma “brincadeira”. É a primeira vez que Câmara fala sobre a denúncia contra ele de tentativa de golpe de Estado.

O que aconteceu

Câmara trocou mensagens com Cid. Ele e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, delator no processo, falam da localização de Moraes. Ele diz que era para uma “aproximação” com o ministro.

Ex-assessor está preso. A ordem foi dada por Moraes em junho deste ano. Ele fala em tentativa de obter informações sigilosas sobre a delação premiada de Cid e obstrução às investigações.

Informações não tinham fontes definidas e eram apenas sobre Moraes. Segundo Câmara, as conversas com referência a Moraes tratavam de informações sobre a cerimônia de diplomação de Lula, para a qual Bolsonaro havia sido convidado, apesar de ter dito que não compareceria.

Militar da reserva não soube explicar quais seriam as fontes que ele utilizou para levantar dados sobre o paradeiro de Moraes. Ele ainda tentou diminuir importância de informações. Ainda não explicou ao ser questionado por que ele e Cid só trataram de Moraes e não de outras autoridades que estariam presentes na cerimônia de diplomação de Lula, realizada em dezembro de 2022 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Na versão dele, informações compartilhadas com Cid teriam vindo de convite do TSE para Bolsonaro participar da cerimônia de diplomação. Segundo Câmara, Bolsonaro poderia mudar de ideia, por isso a equipe de segurança teria analisado as rotas e a segurança da cerimônia. Na versão dele, os dados compartilhados com Cid, incluindo a rota de Moraes no dia do evento, estariam no convite do cerimonial do TSE.

Apelido dado a Moraes seria uma “brincadeira”, diz Câmara. Nas trocas de mensagens, Cid e Câmara se referiam a Moraes pelo codinome professora. Questionado sobre isso hoje, o militar da reserva disse que se tratava de uma “brincadeira” criada inicialmente por Cid. “Partiu do coronel Cid o termo professora. Inclusive, ele fala que foi uma brincadeira. E eu repito que eu ingressei nessa brincadeira, porque não tinha nenhum objetivo de esconder nada”, afirmou.

Como eu recebi, eu imediatamente passei para o Cid e começamos a tomar as providências, porque o presidente tinha falado que não iria na diplomação, mas isso podia mudar de uma hora para outra. Então, por força de função, tinha que estar preparado. Então, nós deixamos tudo preparado. Então, essas rotas que foram faladas, que seriam monitoramentos, que eu estava passando informação de autoridade, isso aí tudo consta no convite emitido, talvez pelo TSE, pelo cerimonial do TSE, e quem recebia tinha que saber.

Essas informações, elas não tinham uma pessoa específica, não tinham uma fonte, até porque eu não sabia qual era a demanda que eu recebia. Se eu fosse ter fonte, eu teria que ter uma pessoa em cada ministério, porque ela só era visível. Então, eu usava esse conhecimento perguntando às pessoas que poderiam… Até mesmo ligando. Já liguei várias vezes para o cerimonial. Algumas vezes me informava, outras vezes não. Ou perguntava a uma pessoa próxima e as pessoas passavam informações. Tanto que essas informações, às vezes, não têm profundidade, nem é completa a nível de um monitoramento. Nosso objetivo era ajuste de agenda e principalmente uma aproximação com o ministro, que nós queríamos evitar uma série de problemas.
Marcelo Câmara, em depoimento ao STF

Supremo realiza os interrogatórios dos réus dos núcleos 2 e 4 da trama golpista nesta tarde. Ao todo 13 réus devem ser ouvidos. Núcleo 2 é formado pelos servidores de segundo escalão da gestão Bolsonaro acusados de “gerenciar” ações golpistas, incluindo o plano de assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do STF e a operação da PRF (Polícia Rodoviária Federal) para priorizar estados do Nordeste em blitze no segundo turno das eleições de 2022.

Audiências estão sendo realizadas por videochamada. No núcleo 1, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ex-ministros, as sessões foram presenciais. Defesas dos acusados criticam agilidade do processo e falta de tempo para analisar todo o material que foi juntado na ação.

Os réus podem ficar em silêncio, mas ninguém usou do direito de ficar calado. Neste momento do processo, o juiz do caso, os advogados das partes e o Ministério Público Federal poderão fazer questionamentos a todos os réus. Cada um tem a oportunidade de se explicar e rebater as acusações da denúncia.

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