Ex-diretor diz que Torres pediu mais ações eleitorais entre 1º e 2º turno

Essa operação veio até com nome próprio, chamado Crime Eleitoral Zero. Foi logo após o segundo turno. Foi o primeiro posicionamento contrário a esse pedido do ministro. Ele estava insatisfeito, enfim, com a atuação da Polícia Federal e me pediu essa operação.
Fernando de Sousa Oliveira, ex-secretário-adjunto de Segurança no DF

O que aconteceu

Supremo realiza os interrogatórios dos réus dos núcleos 2 e 4 da trama golpista nesta manhã. Ao todo 13 réus devem ser ouvidos. Núcleo 2 é formado pelos servidores de segundo escalão da gestão Bolsonaro acusados de “gerenciar” ações golpistas, incluindo o plano de assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do STF e a operação da PRF (Polícia Rodoviária Federal) para priorizar estados do Nordeste em blitze no segundo turno das eleições de 2022.

Audiências estão sendo realizadas por videochamada. No núcleo 1, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ex-ministros, as sessões foram presenciais. Defesas dos acusados criticam agilidade do processo e falta de tempo para analisar todo o material que foi juntado na ação.

Os réus podem ficar em silêncio. Neste momento do processo, o juiz do caso, os advogados das partes e o Ministério Público Federal poderão fazer questionamentos a todos os réus. Cada um tem a oportunidade de se explicar e rebater as acusações da denúncia.

Os réus interrogados hoje

Núcleo 2, apontado como “gerencial”:

  • Mário Fernandes, general da reserva do Exército;
  • Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do governo Bolsonaro;
  • Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro;
  • Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal;
  • Marília de Alencar, ex-subsecretária da Segurança do DF;
  • Fernando de Sousa Oliveira, ex-secretário-adjunto da Segurança do DF

Núcleo 4, acusado de atuar na divulgação de fake news sobre as urnas e o sistema eleitoral:

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, capitão reformado do Exército;
  • Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército;
  • Carlos César Moretzsohn Rocha, engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal;
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército;
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército;
  • Marcelo Araújo Bormevet, policial federal e ex-membro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
  • Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército

Núcleos são acusados de difundir fake news e ‘gerenciar’ ações golpistas. Mario Fernandes é apontado como o responsável por elaborar o plano Punhal Verde Amarelo, que previa o assassinato de Moraes. Já Filipe Martins é apontado como o responsável por redigir a minuta de golpe de Estado, revisada por Bolsonaro, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Todos os réus respondem pelos mesmos crimes. Eles são acusados de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Em caso de condenação, a pena somada chega a 46 anos de prisão. Eles negam os crimes.

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