Eduardo radicaliza, orienta ataques a Nikolas e irrita agro e centrão

O grupo inclui dois ex-ministros de Bolsonaro: Tereza Cristina (Agricultura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Eduardo chamou a viagem da comitiva de senadores da Comissão de Relações Exteriores de um “gesto de desrespeito” a Trump.

O deputado também não esconde mais sua rixa com Nikolas Ferreira. Ele reclamou de falta de solidariedade no episódio da tornozeleira eletrônica de Bolsonaro. A falta de posicionamento enfático sobre o tarifaço foi outro ponto que rendeu críticas.

Agro e centrão irritados

A atitude de Eduardo desidratou sua credibilidade. O líder de um dos partidos do centrão encerrou uma conversa com jornalistas ao ser questionado sobre a atuação do deputado nos Estados Unidos. Ele fez cara de desgosto e disse: “Vamos falar de gente séria”.

O presidente de um partido do bloco falou que Eduardo parou de ser levado em consideração. Ele acrescentou que o projeto de concorrer a Presidência da República no ano que vem naufragou por causa da pressão por sanções que resultaram no tarifaço.

Eduardo é visto como candidato à cadeia e não ao Planalto. Vários parlamentares afirmam que haveria ordem de prisão em caso de retorno ao Brasil.

O agronegócio também está irritado com Eduardo. Deputados da bancada ruralista afirmaram ao UOL que ele está só atrapalhando. Na visão deles, negócios e empregos estão ameaçados por causa do lobby feito pelo deputado nos Estados Unidos para salvar Bolsonaro da prisão.

Até no PL há críticas. Muitos parlamentares reclamam que, por culpa de Eduardo, o partido ficou exposto à acusação de trabalhar contra o Brasil em troca da suspensão do processo que deve condenar o ex-presidente à cadeia.

As críticas não significam isolamento completo. Eduardo não foi abandonado pelo grupo que se chama de “bolsonaristas raiz”. São cerca de 25 deputados e há parlamentares de outros partidos além do PL. Eles são conhecidos por pautas radicais e um enfrentamento recorrente ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Parceiro de pirotecnia

Eduardo conta com um aliado para criticar desafetos. O jornalista Paulo Figueiredo é visto como “boca alugada” do deputado e autor de ataques por procuração.

Figueiredo usa adjetivos mais pesados que os de Eduardo. Ele chamou os senadores Tereza Cristina e Marcos Pontes de “traidores” em um vídeo. Ao final, disse que o filho do ex-presidente deveria divulgar uma nota pública contra a dupla.

O deputado repostou o vídeo e fez a nota pública sugerida. O texto não chamava os ex-ministros de seu pai de traidores, mas desautorizava a negociarem as tarifas e servia como endosso aos ataques de Figueiredo. A situação exemplifica a dobradinha.

O mesmo roteiro ocorre em relação a Nikolas. Quando saiu o tarifaço, Figueiredo escreveu: “Alguém avisa o Nikolas sobre as ações? Acho que ele não está sabendo”.

As alfinetadas de Eduardo em Nikolas são antigas. Eduardo sempre se mostrou ressentido com o campeão de votos da última eleição —em São Paulo, o deputado ficou atrás de Carla Zambelli (PL) e de seu rival Guilherme Boulos (PSOL).

O início da divergência seria a falta de gratidão de Nikolas. Mas Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Silas Malafaia são todos próximos ao parlamentar.

O UOL apurou que Nikolas não dará resposta. O deputado prefere se manter calado para não alimentar as polêmicas.

Tudo isto é a atuação de Eduardo nesta semana. Na anterior, quando Donald Trumpo anunciou o tarifaço, o deputado fez severas críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

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