O principal incômodo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem com o Brasil é a resposta brasileira dada à tentativa de golpe no 8 de janeiro, analisa a antropóloga Isabela Kalil, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) ao UOL News.
No dia 1º de agosto irão entrar em vigor as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. De acordo com o próprio mandatário estadunidense, a tarifa se aplica para países com os quais os Estados Unidos não têm “boa relação”.
Trump foi muito hábil em perceber uma coisa que é a seguinte: primeiro, como as democracias podem ser corroídas por dentro. Trump entendeu isso — acho que no seu primeiro mandato — e agora é isso o que ele está fazendo. E ele está corroendo a democracia não só dos Estados Unidos, como dos outros países também.
O Brasil estava em uma posição que internamente é forte, mas que para o Trump é incômoda porque o Brasil tem seguido como um modelo democrático. Então, acho que isso é o principal incômodo que o Trump tem com o Brasil.
Isabela Kalil, antropóloga da FESPSP
Kalil destaca que, com a resposta institucional dada ao golpismo no Brasil, a democracia brasileira, mesmo com seus defeitos, se torna um modelo para os demais países.
Não são só questões pontuais envolvendo Jair Bolsonaro, a família Bolsonaro. O que acontece é que o Trump foi um dos articuladores, apoiou e estava do lado de fora da invasão do Capitólio no 6 de janeiro. Os Estados Unidos, por não ter uma justiça eleitoral como tem o Brasil e por várias outras razões institucionais, não conseguiram frear o Trump, e o Trump se reelegeu.
O Brasil toma um caminho diferente, porque tem similaridades entre o 6 de janeiro e o 8 de janeiro. E, ao contrário dos Estados Unidos, as instituições brasileiras conseguiram conter o golpismo, fato que agora a gente vai ter o julgamento de todo mundo que foi central para o golpe. O que acontece é que o Brasil, por ser um modelo bem-sucedido de democracia nesses termos que estamos colocando hoje, acaba sendo um empecilho para o Trump, porque para ele não é bom ter uma democracia que apresenta um modelo que dá para dizer: “Bom mas e se a gente copiar isso do Brasil?”.
Então, eu acho que acabou acontecendo é uma coisa que inverte um pouco. Durante muitas décadas os Estados Unidos foram um modelo de democracia a ser seguido, inclusive para o Brasil. Agora, o que está acontecendo é que o Brasil está se tornando um player importante, mostrando um caminho democrático após várias tentativas de esvaziamento e de ataque à democracia.
Isso não quer dizer que a democracia não tem nenhum problema, mas diante de situações como a tentativa de golpe de Donald Trump, de Jair Bolsonaro e de outros atores com a ascensão da extrema direita no mundo inteiro, o Brasil tem dado respostas muito firmes. E isso incomoda muito o Trump.
Isabela Kalil, antropóloga da FESPSP
O UOL News vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: às 10h, com apresentação de Fabíola Cidral, e às 17h, com Diego Sarza. Aos sábados, o programa é exibido às 11h e 16h, e aos domingos, às 16h.
Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL. O Canal UOL também está disponível na Claro (canal nº 549), Vivo TV (canal nº 613), Sky (canal nº 88), Oi TV (canal nº 140), TVRO Embratel (canal nº 546), Zapping (canal nº 64), Samsung TV Plus (canal nº 2074) e no UOL Play.
Veja a íntegra do programa:


Deixe um comentário