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Já o senador Espiridião Amin (PP-SC), que também compõem a comitiva, disse que “como pai” gostaria que seu filho agisse como Eduardo tem feito para proteger Jair Bolsonaro. Perguntado pela coluna sobre como se posicionava “como senador”, ele repetiu que queria falar “como pai” e se esquivou da resposta.
Eduardo e o comentarista político Paulo Figueiredo fazem há meses uma campanha em Washington para caracterizar Bolsonaro como “perseguido político” e vítima de “uma caça às bruxas”. Os termos, inclusive, têm sido repetidos por Trump e sua gestão na justificativa de imposição de tarifas ao Brasil.
Na semana passada, a coluna já havia relatado a estratégia de Eduardo e Figueiredo, que acusou os senadores de “traição”. Ambos trabalham para que as punições ao país levem a algum tipo de anistia a Bolsonaro e seus aliados.
Apesar das alegações, as ações contra o Bolsonaro tramitam no Judiciário (STF e TSE), e seguem o devido processo legal. Além disso, o Executivo não tem poder de interferir nos julgamentos, iniciados após investigações da Polícia Federal e que garantem a ampla defesa.
Ligação entre presidentes e expansão de prazo
Apesar do boicote, os senadores tentam sensibilizar parlamentares e o PIB americano com negócios no Brasil para tentar intermediar uma conversa direta entre os presidentes Trump e Lula, que nunca conversaram.
“A gente está focando, principalmente, na abertura de prazo, porque a carta foi de 9 de julho para valer no dia 1º de agosto, são menos de 30 dias, então não é razoável”, disse o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, que também faz parte da comitiva.
Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), o trabalho “não é de quebrar o gelo, é de quebrar uma geleira”. Conforme o político mineiro, até o momento, os senadores Martin Heinrich, Democrata do Novo México, e Ed Markey, Democrata de Massachusetts, que já se reuniram com os brasileiros, toparam assinar a carta com a U.S. Chamber of Commerce para pedir o adiamento do prazo para a entrada em vigor da sobretaxa ao Brasil.
Espiridião Amin (PP-SC) também advogou por mais prazo, citando inclusive a China, que teve mais tempo para se preparar, segundo o senador. Não está claro, porém, quais são as reais possibilidades de um telefonema entre Lula e Trump para o pedido de adiamento nas tarifas.
Café sem sobretaxas
Outra novidade do dia animou a comitiva. O Secretário de Comércio Howard Lutnick afirmou hoje que produtos agrícolas que não sejam produzidos nos EUA, ou recursos naturais não disponíveis no território americano, não devem sofrer qualquer sobretaxa.
Ele citou especificamente café e cacau, mas não mencionou o Brasil, o maior exportador do grão para os EUA. Lutnick disse, porém, que a decisão final sobre o assunto cabe a Trump. Para Viana, essa é uma brecha importante para que o Brasil encaixe um argumento para negociar exceções setor a setor.
“Essa notícia do secretário de Comércio é uma demonstração clara de que nós podemos e temos a condição de dialogar”, diz Viana.
Segundo Wagner, a ideia da comitiva é mostrar que os americanos sofrerão com a taxa assim como os brasileiros. A cada reunião, eles levam consigo uma lista de dez produtos brasileiros mais vendidos no Estado do parlamentar com quem se reúnem, para mostrar o impacto direto no eleitorado dos senadores americanos.
Ao sair da conversa com o Heinrich, Wagner disse que o senador americano “mostrou a preocupação das consequências que vão ter aqui, da inflação nos produtos”. E seguiu: “Ele chegou a dizer que o preço de construção de casa eventualmente sobe, porque tem muita madeira vinda do Brasil, além de outros temas como café, outras coisas, então todos eles sabem que isso vai doer no bolso de empresas brasileiras e de empresas americanas, pequenas, médias e grandes, e quando mexe no bolso as pessoas se mexem”.

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