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A poucos dias do início da taxação de 50% para produtos brasileiros nos Estados Unidos, alguns estados anunciaram linhas de crédito para empresas afetadas e outros criaram grupos para debater o que pode ser feito. Além disso, o plano de contingência do governo federal para lidar com os impactos da tarifa aguarda aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Veja o que já foi anunciado:
São Paulo
O governo de São Paulo anunciou uma linha de crédito de R$ 200 milhões. O crédito terá juros subsidiados e será direcionado a empreendedores que mantêm relações comerciais com o mercado norte-americano.
Limite de financiamento é de R$ 20 milhões por cliente. A linha oferece ainda taxas a partir de 0,27% ao mês + IPCA, prazo de até 60 meses para pagamento e carência de até 12 meses.
São Paulo também anunciou a liberação de créditos de ICMS acumulados para empresas exportadoras. Também ampliou o Fundo Garantidor, que viabiliza maior acesso ao crédito com menos exigência de garantias.
Rio Grande do Sul
O governo do Rio Grande do Sul anunciou um programa de crédito de R$ 100 milhões. A linha de crédito será ofertada por meio do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e vai socorrer exportadores de diferentes setores.
Linha terá juros subsidiados e carência. A linha de crédito terá custo final entre 8% e 9% ao ano e prazo de pagamento de 60 meses, com 12 meses de carência.
O programa estará disponível a partir do dia 4 de agosto. Podem acessar o financiamento empresas de qualquer porte que tenham realizado exportações para o mercado norte-americano em 2024 ou no primeiro semestre de 2025.
Goiás
Goiás anunciou nova linha de crédito. Batizado de Fundo Creditório, a linha vai apoiar os segmentos da economia goiana que mais exportam para os Estados Unidos.
O fundo poderá ser acessado a partir de agosto, com taxa de juros de 10% ao ano. O governo prevê ofertar R$ 314 milhões em créditos de ICMS (que poderão ser usados como garantia) e outros R$ 314 milhões que virão de apoiadores do mercado financeiro.
O governo permitirá ainda a utilização de outros dois fundos pelos empresários afetados. O Fundeq (Fundo de Equalização para o Empreendedor), criado em 2020 durante a pandemia de covid-19, e o Fundo de Estabilização Econômica do Estado de Goiás, que pode ser utilizado em momentos de crise econômica para garantir a continuidade de serviços essenciais.
Paraná
Paraná vai permitir uso de crédito de ICMS. O governo estadual divulgou que as empresas afetadas pelo tarifaço e que tenham crédito de ICMS poderão utilizá-lo parcialmente para monetização, giro ou como garantia na tomada de recursos.
O governo também promete abrir ofertas de crédito. As linhas irão contar com a Fomento Paraná e o BRDE. As empresas atingidas também poderão solicitar adiamento de pagamento de parcelas de empréstimos já tomados, dentro das regras estabelecidas pelo Banco Central.
Outros estados
Governadores criaram grupos de trabalho. Os governos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo anunciaram a criação de grupos de trabalho para estudar medidas possíveis.
Governadores solicitaram reunião com o governo federal. Ontem, o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) disse, após se reunir com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que o Fórum dos Governadores solicitou uma reunião com o governo federal para discutir as reações ao tarifaço. O encontro ainda não tem data marcada.
Plano federal
Lula vai aguardar desdobramento do tarifaço antes de decidir. Haddad disse hoje que Lula já recebeu os cenários de contingência e vai aguardar para ver o desdobramento do tarifaço antes de reagir às opções apresentadas.
Propostas incluem linha de crédito. Dentre as medidas analisadas está a possibilidade de criação de um fundo privado para oferecer crédito a empresas ou setores afetados pelo tarifaço. A ideia é que as áreas que mostrarem que sua projeção de receita foi afetada pelas tarifas teriam o acesso ao crédito facilitado.
O governo também desenha uma proposta para segurar empregos. Só o setor de indústria citou um cálculo de 110 mil empregos perdidos caso o tarifaço dure. O plano, conforme informou o vice-presidente ao setor de agro, segundo a Folha de S. Paulo, é criar um programa emergencial para evitar demissões que deve ser semelhante ao adotado na pandemia de covid, em 2020.

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