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Zambelli diz que preferiu a Itália aos EUA porque “tem muitos problemas de saúde” e no país norte-americano seus tratamentos “seriam caros”. “Ninguém me garantiu impunidade aqui na Itália. Pelo contrário. No Brasil, a comunidade italiana é muito forte, tem muito poder no Brasil. E poderia ter feito com que eu fosse candidata na Itália nos partidos de direita. Pela Liga ou Irmãos da Itália [Fratelli d’Italia]. Me pediram, mas eu não quis. Sou uma pessoa séria. Meu marido está nas forças especiais da polícia. Jamais faria algo imprudente”, disse ao jornal.
Deputada diz que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou com Mattteo Salvini sobre a situação dela. Salvini é um dos líderes da extrema-direita italiana e aliado da primeira-ministra, Giorgia Meloni. “Não sei se Salvini prometeu algo a ele. Espero que sim, porque sou inocente”, repetiu.
A deputada foragida diz que esperava mais apoio da extrema direita italiana. “Esperava algo mais. De Salvini, mas também de Giorgia Meloni, que é amiga de Trump. E Trump sabe o que está acontecendo no Brasil. Não é uma situação que diz respeito apenas a mim. Eu sou a primeira condenada, mas acontecerá com muitos outros.”
Ela também disse ao jornal ter vontade de voltar ao Brasil. “Gostaria de voltar ao Brasil, mas nesta situação não posso. Acabaria imediatamente na prisão e não sei como sobreviveria. Tenho muitos problemas de saúde, sofro de síncopes, corro o risco de cair a qualquer momento. Não posso ficar sozinha”, falou.
Zambelli pediu para ser fotografada de boné, segundo jornal italiano. “Se for me fotografar, me deixe colocar um chapéu. Estou fechada há dois meses, tenho alguns cabelos brancos. Não quero que meus apoiadores me vejam assim”, disse.
Agora que vocês me descobriram, terei que mudar de casa. Não divulguem meu endereço.
Carla Zambelli, deputada foragida, ao La Repubblica
Processo de extradição
Autoridades italianas devem decidir se iniciam ou não o procedimento de extradição.A Justiça italiana tem 48 horas para decidir se ela permanece presa e, na sequência, encaminha o processo de extradição para o Ministério da Justiça italiano.
A partir daí, o Ministério da Justiça da Itália terá dez dias para decidir se segue ou não com o pedido de extradição feito pelo Brasil. O pedido foi encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após a Corte concluir o julgamento que condenou a deputada a dez anos de prisão.
Governo italiano pode entender que não é o caso de seguir com o processo, explica professor. Ex-secretário de Cooperação Internacional da PGR (Procuradoria-Geral da República), Vladimir Aras lembra que a situação é semelhante à que ocorreu com o ex-jogador de futebol Robinho. Condenado na Itália, ele foi preso no Brasil, mas o país não aceitou extraditá-lo por ele ser cidadão brasileiro. Com isso, a Itália pediu que ele cumprisse a pena no Brasil, o que foi chancelado pela Justiça brasileira.
Se o Ministério da Justiça italiano decidir seguir com a extradição, caso vai para o procurador-geral da Itália. É esse procurador que atua na Corte de Apelação, em Roma, onde, segundo Aras, deve tramitar o processo judicial que vai analisar a extradição. De acordo com o professor, que é referência em cooperação internacional no Brasil, a expectativa é de que esse processo leve, em média, seis meses.
Caberá ao MP italiano defender ou não o pedido de extradição. A defesa de Zambelli também será ouvida, e o governo brasileiro, se quiser, pode contratar um advogado para representar o país na Corte e defender sua posição. Ao final desse processo, independentemente do resultado, ainda é possível recorrer à instância superior, a chamada Corte de Cassação.

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