Ato pró-Bolsonaro leva 37 mil à Paulista, louva Trump e ataca Lula e Moraes

Críticas e ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções financeiras do governo dos Estados Unidos através da lei Magnitsky, também estavam nas faixas e na pauta de seus aliados no trio elétrico e entre os manifestantes.

“A manifestação chamou a atenção pelo vigor renovado, depois de uma manifestação anterior mais esvaziada. O número é significativo e em especial pelo fato de Bolsonaro não ter estado presente. É sinal de que a crise do tarifaço e seus desdobramentos não mobilizaram apenas a esquerda”, afirmou o professor de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado, um dos coordenadores do Monitor do Debate Político.

Devido a medidas restritivas impostas pelo STF, ele não pode sair de casa aos finais de semana. Mas nenhum membro da família Bolsonaro esteve presente em São Paulo. O senador Flávio Bolsonaro participou de ato similar na praia de Copacabana, no Rio, quando acusou Moraes de perseguição. A diretora do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, esteve em ato em Belém (PA), onde chamou Lula de “cachaceiro sem-vergonha” —aliados a criticaram por fugir da participação na Paulista alegando outros compromissos.

Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro segue nos Estados Unidos, onde vem conspirando com o governo local por sanções contra o Brasil a fim de ajudar seu pai. E o vereador Carlos Bolsonaro participou de ato em Criciúma (SC), estado pelo qual deve tentar uma cadeira no Senado no ano que vem.

Entre os presentes em São Paulo estavam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o pastor Silas Malafaia e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A esquerda, que costuma reunir menos que a direita nas ruas, levou 15,1 mil manifestantes no protesto “O Brasil é dos brasileiros”, na avenida Paulista, no dia 10 de julho, uma quinta-feira. Além da crítica ao tarifaço de Trump, o ato também defendeu a taxação dos super-ricos e o fim da jornada 6 por 1.

55% dos brasileiros são contra anistia; 35%, a favor

Diante da constatação de que o STF não deve ceder à chantagem de Washington, Bolsonaro conta com a pressão de seus seguidores nas ruas para acelerar o trâmite do projeto de lei da anistia no Congresso Nacional. A oposição diz que já têm votos suficientes para aprová-lo, mas não conseguiu votar a urgência da matéria, o que faria com que fosse analisada diretamente no plenário sem a necessidade de passar pelo debate em comissões.

Recentemente, Eduardo Bolsonaro fez ameaças aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para pautarem o PL —pressão que foi ignorada por ambos.

Vale lembrar que, mesmo se os parlamentares aprovassem a proposta e, depois, derrubassem o provável veto do presidente Lula, e a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal não questionarem a constitucionalidade da anistia, Bolsonaro ainda precisaria transpor outra barreira para estar nas urnas eletrônicas em 2026.

Ele está inelegível até 2030 por causa de duas condenações do Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder. Então, terá que torcer por uma mudança na Lei da Ficha Limpa que diminua a punição a políticos.

Pesquisa Datafolha aponta que 55% dos brasileiros são contra e 35% são a favor da anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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