
Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL-SP) comemoraram o público presente no ato organizado hoje por lideranças de extrema-direita na avenida Paulista. As declarações vêm após falas anteriores que diminuíam a importância dos números.
O que aconteceu
“Uma tal da USP não sabe contar os brasileiros”, afirmou Sóstenes Cavalcante. A fala do líder do PL na Câmara dos Deputados foi uma alusão às contagens de público que a universidade realizou em manifestações recentes (e que mostram queda na presença de público nos atos da direita).
“Vão falar que flopou. Flopou aonde?”, disse Marco Feliciano (PL). “Alexandre de Moraes, vai encontrar um tanque cheio de roupa suja para lavar”, afirmou o deputado federal paulista.
“Muita gente dizia que não ia dar ninguém”, afirmou o apresentador do ato, antes de chamar o pastor Silas Malafaia ao palco. Carlos Rudiney citou a ausência de Bolsonaro (que cumpre determinação da Justiça e não pode deixar Brasília sem autorização) como algo que justificava as apostas que, segundo ele, não se concretizaram.
Falas vão na contramão de declarações anteriores. Após o último ato bolsonarista na Paulista, tanto Cavalcante como Malafaia disseram que o número de pessoas presentes não era o principal em um ato desse tipo.
Eu sempre digo que não entro nesse debate. Cada um apresenta o seu número. O que importa é que o recado foi muito claro, quando você olha qualitativamente, como numa pesquisa que analisa aspectos quantitativos e qualitativos
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), deputado federal, em junho
Estamos aqui para marcar posição. É menos importante o número [de participantes] do que eu vou dizer aqui (…) Desafio a esquerda brasileira a colocar 10% da quantidade de gente que tem aqui hoje
Silas Malafaia, pastor evangélico, em junho
Números em queda
Ato realizado em junho reuniu 12,4 mil pessoas. O número foi levantado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e a ONG More in Common às 15h40, momento de pico da manifestação.
Fim de mês e jogo do Flamengo na Copa do Mundo de Clubes foram apontados como motivo para manifestação mais vazia. À época, Cavalcante citou também o início das férias escolares como um fator para a menor presença de público.
Público verificado em junho foi menor do que o visto em abril na Paulista. Na manifestação daquele mês, 44,9 mil pessoas estiveram presentes.
Bolsonaristas planejam novo ato na Paulista em 7 de setembro. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) convocou quem estava na manifestação de hoje para a próxima, marcada para o dia da Independência do Brasil.
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