Opinião | 78% acreditam que Bolsonaro será condenado em processo que também coloca o STF sob julgamento

Bolsonaro diz que está acompanhando julgamento de casa

Ex-presidente foi visto do lado de fora de sua residência e fez breve comentário ao Estadão. Crédito: Gustavo Cortes | Estadão

Nas redes, há quase consenso: 78% acreditam que Jair Bolsonaro será condenado. A dúvida não está no desfecho, mas no motivo. Para a esquerda, ele tentou um golpe e o 8 de janeiro deixou isso claro. Para a direita, será punido por um tribunal formado por adversários que querem impedir uma liderança de exercer sua influência e concorrer às eleições.

A questão é que, tanto entre os que acreditam que Bolsonaro tentou se perpetuar no poder quanto os que entendem o processo como uma mera perseguição, o STF deixou de ser visto como corte técnica e virou ator político. Os ministros são classificados, nas conversas online, como aliados ou inimigos de Bolsonaro. A percepção que molda o apoio ou a rejeição ao julgamento é que não importam os autos, importam os lados.

Os dados da AP Exata, baseados em 210 mil publicações no X e no Instagram, nos últimos sete dias, mostram isso com clareza. No total, 45,8% das menções ao Supremo são negativas, 42,1% positivas e 12,1% neutras. A divisão segue a lógica da polarização.

Na direita, 78,9% avaliam o STF de forma amplamente negativa. E 88,2% se mostram contra a condenação do ex-presidente. O vínculo é direto. A rejeição ao Supremo anda de mãos dadas com o apoio a Bolsonaro.

Entre os moderados, 46,1% avaliam o Supremo de forma positiva e 49,8% apoiam a condenação. Mas 32,7% são críticos à Corte e 46,2% rejeitam a punição. Esse grupo tem se mostrado mais volátil, e oscilações da guerra narrativa podem influenciá-lo.

Na esquerda, quase sete em cada dez avaliam o STF positivamente (69,5%). 89,1% defendem a condenação.

O retrato é claro. Para a sociedade, a condenação de Bolsonaro não depende apenas dos autos. Ela já é antecipada porque os ministros são vistos como parte do jogo político. Hoje, a impressão geral é de que a corte pende para a esquerda, como já foi interpretada pesando mais para a direita, no passado.

Enquanto ministros forem escolhidos por presidentes e aprovados por senadores, a leitura continuará sendo política. Sem mudança nas regras, cada decisão nascerá marcada pela ideologia de quem a interpreta.

Assim, o Supremo, que deveria ser a palavra final de uma disputa, no Brasil virou parte dela. Mesmo que uma decisão seja justa, a percepção é que não é essa a motivação para que seja proferida. Portanto, o STF também está condenado. Condenado a viver sob suspeita, sendo aplaudido por um lado e atacado pelo outro, de acordo com os ventos que movem os interesses que fazem a engrenagem girar ou parar.

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