PF prende ‘Careca do INSS’ em nova fase de operação contra fraudes

BRASÍLIA E SÃO PAULO – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira, 12, uma nova fase da Operação Sem Desconto, contra fraudes e desvios no INSS e prendeu o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores da fraude.

Maurício Camisotti, suspeito de ser sócio oculto de uma das associações envolvidas no esquema, também foi preso. O escritório do advogado Nelson Willians foi alvo de buscas.

A Operação Cambota cumpre 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Andre Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa de Camisotti afirma que “não há qualquer motivo que justifique sua prisão”, enquanto a de Nelson Willians alega que sua relação com investigados na fraude “é estritamente profissional e legal”.

O advogado Cleber Lopes, que defende o “Careca do INSS”, disse que não há justificativa para a prisão e afirmou que vai apresentar documentos à PF para comprovar a inocência dele.

Segundo uma fonte envolvida na operação, havia risco de fuga de “Careca” e de Camisotti, por isso houve a determinação da prisão.

O “Careca do INSS” foi um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril. Segundo a PF, pessoas e empresas relacionadas ao lobista receberam R$ 48,1 milhões de associações suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados, além de R$ 5,4 milhões de empresas ligadas a essas entidades, totalizando R$ 53,5 milhões em desvios.

“Careca” teria repassado R$ 9,3 milhões a servidores do INSS suspeitos de corrupção. Ele é descrito no inquérito da PF como “pagador de vantagens indevidas” e alguém “profundamente envolvido no esquema de descontos ilegais”.

Maurício Camisotti é suspeito de ser sócio oculto da Asssociação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), entidade apontada como a terceira maior beneficiária da fraude no INSS. Camisotti é acusado de operar lavagem de dinheiro.

O escritório Nelson Willians entrou na mira da investigação porque recebeu pagamentos de envolvidos no esquema e fez uma transferência ao empresário Maurício Camisotti. A PF suspeita que as operações tinham o objetivo de lavagem de dinheiro.

Na sede do escritório, em São Paulo, a PF apreendeu diversas obras de arte. No endereço de um ex-diretor do escritório, Fernando Cavalcanti, em Brasília, a PF apreendeu dinheiro vivo e carros de luxo, incluindo uma Ferrari.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO CARLOS CAMILO ANTUNES

O advogado Cleber Lopes, que defende Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, disse que não há justificativa para a prisão e afirmou que vai apresentar documentos à PF para comprovar a inocência dele.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE MAURÍCIO CAMISOTTI

A defesa do empresário Maurício Camisotti afirma que não há qualquer motivo que justifique sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS.

Os advogados chamam a atenção para a arbitrariedade cometida durante a ação policial: Camisotti teve seu celular retirado das mãos no exato momento em que falava com seu advogado. Tal conduta afronta garantias constitucionais básicas e equivale a constranger um investigado a falar ou produzir prova contra si próprio.

A defesa reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e assegurar o pleno respeito aos direitos e garantias fundamentais do empresário.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE NELSON WILLIANS

Em relação ao mandado de busca e apreensão cumprido nesta data, Nelson Wilians esclarece que tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência.

Nelson Wilians já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados — seu cliente na área jurídica — é estritamente profissional e legal, o que será comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil comprovação.

Ressaltamos que a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. O advogado permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência.

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