A Lely, empresa holandesa do segmento de automação para a pecuária leiteira, inaugurou nesta terça-feira (23/9), em Carambeí (PR), o prédio que será a matriz da companhia para a América Latina. A região atendida engloba Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. “A empresa aposta muito na região, que tem um potencial enorme”, afirma Edison Acherman, gerente do cluster América Latina da Lely.
Com investimentos de R$ 10 milhões no modelo built to suit (BTS), o novo prédio da empresa foi construído no Parque Industrial Sul. Segundo Acherman, nos últimos seis anos o volume de negócios na América Latina cresceu 500%. Sem precisar valores, ele aponta que o desempenho foi puxado principalmente pelo Brasil e Argentina.
Atualmente, são aproximadamente 700 robôs da marca instalados em fazendas da região, sendo em torno de 400 deles no Brasil. Apesar do volume, não há previsão de instalação de uma fábrica da Lely na região.
Acherman revela que a companhia, que tem presença em 50 países, está se instalando no México e estuda entrada no norte da África e no Cazaquistão.
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A empresa não trabalha com linha própria de financiamento para aquisição de equipamentos pelos produtores, mas o executivo afirma que estão sendo buscadas alternativas nesse sentido. “Vamos tentar viabilizar acordos com bancos locais e cooperativas agrícolas para facilitar esse tipo de negócio”, revela. O investimento inicial nas linhas de produtos para automação da pecuária leiteira da marca, afirma Acherman, gira em torno de R$ 1,2 milhão, sendo reduzido a cada novo equipamento comprado.
A Lely, com sede na cidade holandesa de Maassluis, fabrica cerca de cinco mil robôs ao ano e, conforme o gerente, em todo o mundo são mais de 50 mil robôs instalados. O robô de ordenha automática Astronaut é o carro-chefe dos produtos comercializados. A versão mais recente do equipamento foi lançada neste ano no Brasil, com sistema operacional reformulado, com atualizações e diagnósticos remotos.
Produtividade
O sócio-diretor da propriedade, Diogo Vriesman, conta que do rebanho de 2.100 vacas, 210 passam pela ordenha robotizada. O restante segue em ordenha mecânica. Com produção diária de 94 mil litros de leite na propriedade, a média de 43 litros por dia, por vaca, passa para 56 litros/dia nos animais ordenhados pelo robô.
“O diferencial do robô é que você ganha em produtividade, a vaca fica mais à vontade, se alimenta, se deita e é ordenhada a hora em que ela deseja”, comenta. Além disso, o produtor destaca o aumento no número de ordenhas por vaca – que fica em torno de 3,3/dia – e a necessidade de menos mão de obra, um dos gargalos da atividade. Vriesman adianta que o grupo já planeja instalar mais quatro robôs para a ordenha na fazenda.
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Ao instalar a sede da América Latina em Carambeí, a Lely também considerou o potencial da região dos Campos Gerais, que é a maior produtora de leite do Brasil. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) referentes a 2024, divulgados neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que entre os maiores produtores de leite do Brasil, Castro lidera o ranking, com produção de 484,4 milhões de litros de leite e Carambeí ficou com a segunda posição, com 293,1 milhões de litros.
Segundo a Lely, são mais de 50 robôs instalados na região, número que deve chegar a mais de 80 até a metade do próximo ano.
Além de servir como sede administrativa, com capacidade para 60 funcionários, a sede América Latina da empresa será destinada ao suporte das operações na região, incluindo gestão de vendas, estoque de equipamentos, peças de reposição, consumíveis, logística, suporte técnico e administração geral. A estrutura conta ainda com um Centro de Treinamento para a promoção de cursos de formação técnica para a operação dos robôs.
*A jornalista viajou a convite da Lely

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