O governo federal estuda uma proposta de criação de um fundo de investimento no agronegócio (Fiagro) para atrair investidores estrangeiros interessados em se tornar sócios de produtores que queiram recuperar e converter pastos degradados, disse ao Valor Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Ministério da Agricultura, às margens do “Vozes do Agro”, da Globo Rural e do Valor.
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A proposta faz parte das estratégias que estão sendo traçadas dentro do Ministério da Agricultura para atrair capital para acelerar o programa Caminho Verde Brasil, de recuperação de áreas degradadas. Além da captação de recursos para financiar a conversão de áreas, a Pasta avalia agora como atrair equity, o que eliminaria o custo financeiro dos projetos.
O Salic, fundo soberano da Arábia Saudita, já sinalizou que pode ter interesse em participar de iniciativas de equity para acelerar essa conversão de áreas no Brasil, mas ainda avalia a possibilidade e o momento certo para investir no projeto, conforme apurou o Valor.
O governo também apresentou a proposta de investimento em recuperação de pastos via equity para representantes do Departamento de Relações Econômicas Internacionais da China em uma reunião em Santos (SP) na última quinta-feira (18).
A ideia é que o modelo do Fiagro atraia investidores interessados no potencial de valorização da terra que passa por uma recuperação de pasto degradado. Estima-se que uma área agrícola voltada à soja atualmente tenha um valor três vezes maior do que um pasto com algum nível de degradação.
Também estão em discussão determinados acordos no caso de alguns investidores estratégicos, como o de compras preferenciais dos produtos agrícolas a serem cultivados nas terras investidas, segundo Augustin.
Para garantir o respeito ao limite da propriedade de terras por estrangeiros no Brasil, os investidores internacionais não poderiam ter 50% ou mais das terras investidas pelo Fiagro.
O primeiro passo do Caminho Verde Brasil foi a realização de um leilão através do programa EcoInvest, do Fundo Clima, que resultou em uma previsão de alocação de R$ 30,2 bilhões por parte dos bancos para financiar a conversão de áreas degradadas, dos quais R$ 16,5 bilhões serão provenientes de capital catalítico do Tesouro.
O programa também conta com um compromisso da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) de financiamento de US$ 1 bilhão. Para internalizar o recurso, o governo estuda realizar mais um leilão dentro do programa Ecoinvest. As autoridades japonesas, por sua vez, querem que o recurso seja destinado de acordo com algumas condições, como chegar a pequenos produtores e a juros baixos.

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