Diante das projeções que apontam para o agravamento dos impactos das mudanças climáticas, a transição para fontes de energia mais limpas tornou-se ainda mais urgente. O Brasil ocupa posição de destaque no cenário internacional por contar com uma matriz energética e elétrica majoritariamente renovável — um diferencial em relação à maioria dos países que ainda dependem de combustíveis fósseis. Nesse contexto, o etanol se consolida como um dos principais trunfos nacionais, apresentando-se como uma alternativa competitiva para a mobilidade.
Líder no mercado automotivo brasileiro e proprietária de 14 marcas globais, entre elas Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën, a Stellantis colocou o combustível no centro de sua estratégia de descarbonização. O objetivo é fortalecer a posição de destaque no Brasil e avançar em suas metas de redução de impactos ao meio ambiente.
A estratégia é combinar a propulsão flex abastecida de etanol com sistemas elétricos. Para o presidente da Stellantis América do Sul e responsável global pela Stellantis Pro One, unidade de veículos comerciais, Emanuele Cappellano, essa abordagem representa o caminho de transição ideal para o país, pois possibilita que uma parcela maior dos consumidores tenha acesso a tecnologias de baixa emissão.
“Com diferentes graus de eletrificação, cada solução entrega resultados distintos em termos de eficiência, emissões e experiência do usuário, para as faixas distintas do mercado. Além disso, fortalecemos a indústria nacional com tecnologias desenvolvidas e produzidas no Brasil, colocando a Stellantis na vanguarda da inovação do setor automotivo na região”, explica Cappellano, ressaltando que a empresa planeja evoluir de maneira gradual nessa direção.
Ao alterar a matriz de propulsão, a companhia impulsionará a coexistência de motores a combustão flex de menor porte e mais eficientes, motores elétricos e sistemas híbridos. A Stellantis planeja, assim, aproveitar a vantagem competitiva que a forte presença do etanol e da energia elétrica de fonte renovável representa para o Brasil.
Vantagem comparativa
Para comprovar a eficiência do biocombustível, a Stellantis realizou um teste dinâmico comparando as emissões totais de CO₂ de veículos abastecidos com quatro fontes de energia: etanol, gasolina tipo C, eletricidade na Europa e eletricidade no Brasil, considerando a matriz energética de cada região. O estudo avaliou as emissões no ciclo completo de uso e produção do combustível ou recurso energético utilizado.
Os resultados reforçaram a relevância do etanol na descarbonização. Em relação à gasolina, o biocombustível emitiu 60% menos CO₂. Já em comparação com veículos elétricos carregados com energia europeia — cuja geração é majoritariamente baseada em fontes fósseis —, as emissões foram 18% menores.
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“O uso do etanol é extremamente eficiente em emissões, pois a cana-de-açúcar, durante seu ciclo de crescimento, absorve CO₂, garantindo cerca de 60% de mitigação final em relação à gasolina”, analisa Cappellano.
Para implementar sua estratégia no Brasil, a Stellantis investe no desenvolvimento da tecnologia Bio-Hybrid, que combina a propulsão flex fuel com a elétrica em novas arquiteturas de veículos. A solução possibilita diferentes níveis de hibridização, atendendo diversas faixas de preço e ampliando o acesso do consumidor a tecnologias de baixa emissão.
Investimento em tecnologia
No primeiro semestre deste ano, a Stellantis registrou 30,1% de participação de mercado, com automóveis que partem do segmento de entrada e chegam às categorias premium. “Significa dizer que um em cada três carros vendidos no país pertence a uma de nossas marcas”, afirma Cappellano. “Para manter nossa competitividade e seguir fortalecendo a indústria local, é necessário desenvolver e produzir modelos alinhados aos desejos dos consumidores e à realidade do nosso país.”
Para sustentar o avanço dessa tecnologia, a empresa inaugurou o TechMobility — Centro de Desenvolvimento de Produto & Mobilidade Híbrida-Flex, o maior da América Latina, no Polo Automotivo de Betim, em Minas Gerais. “Ele será responsável pelo desenvolvimento de motores a combustão de alta eficiência, além de tecnologias de eletrificação de baixa, média e alta voltagem”, conta o presidente. “Essa expansão reforça nossa base tecnológica, reafirmando a engenharia e a cadeia de fornecimento nacional como um dos pilares da competitividade global da companhia.”
A tecnologia Bio-Hybrid representa apenas uma parte do trabalho da Stellantis em sua jornada para a descarbonização. A estratégia também considera todo o ciclo de produção, utilização e descarte dos veículos. “Nosso projeto de carbono neutro abrange toda a cadeia de valor envolvida no processo produtivo, desde a extração dos minerais e sua transformação em matéria-prima, passando pelas etapas de desenvolvimento de produtos, fornecedores, manufatura, produto final, rede de concessionárias e usuário”, completa o executivo.
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