A Fazenda Monte Alto soma um sentido extra ao prazer de tomar um bom café: além de aroma e paladar, opera um modelo de produção à altura de sua história centenária, com destaque para o resgate de tradições, liderança feminina e práticas sustentáveis.
Fazenda Monte Alto
Maria Helena Monteiro assumiu a gestão após deixar, em 1998, um cargo de alta executiva, contando com o apoio de seu marido, Ricardo Alves Bastos, na época vice-presidente de uma multinacional. Localizada em Dourado (SP), a fazenda já estava nas mãos da família havia quase 100 anos, mas o casal decidiu comprar frações que pertenciam a parentes.
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O café ocupa 85 dos 264 hectares da propriedade, que não abre novas áreas há mais de 20 anos – e, a propósito, cerca de 1 hectare de cafezal certificado cresce dentro da floresta. Ao invés de suprimir cobertura vegetal, o casal trabalhou na recuperação da Mata Atlântica e de nascentes com plantio de espécies nativas e frutíferas. A área de mata nativa é maior do que a que o Código Florestal exige.
Um dos resultados dessas ações foi a criação de corredores verdes, que atraíram diversas espécies de animais. “Temos relatos do reaparecimento de veados, lebres, tamanduás-bandeira, preguiças, jaguatiricas e onças. Eu até relevo quando assustam minhas galinhas”, brinca Maria Helena.
A gestão hídrica é outro diferencial, com uso e reúso de fontes outorgadas do Aquífero Guarani, estrutura com esgoto tratado organicamente, chuva direcionada a lagos e reintrodução de peixes. “Temos coleta canalizada desde o casarão até a represa e lagos que se formaram naturalmente. Fazemos o reúso da água da lavagem do café, que é rica em potássio, para a fertirrigação”, conta Ricardo.
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O casal aproveita resíduos como adubo natural, adota o manejo integrado de pragas (MIP) e faz a aplicação de fertilizantes a taxa variada. Uma miniusina fotovoltaica opera com capacidade para fornecer energia a todas as atividades da fazenda. A aplicação de defensivos químicos é proibida na propriedade, o que favorece a criação de abelhas e a produção comercial de mel.
Os cafezais são biodiversos e cultivados com variedades como catuaí vermelho e amarelo, acaiá, obatã e tupi. A opção, relatam os produtores, dá mais resiliência contra variações climáticas, eleva a qualidade dos grãos e permite a colheita em diferentes períodos do ano.
O Café Helena, marca própria, já recebeu avaliações de mais de 80 pontos. A história da Fazenda Monte Alto remonta a 1813. Com 2.000 metros quadrados, o casarão da propriedade tem paredes de pedra sem cimento de 1 metro de espessura.
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Parte delas, inclusive, teria servido de forte aos bandeirantes em suas jornadas pelo Centro-Oeste do país. A área abriga ainda um sítio arqueológico datado de mais de 12.500 mil anos, o que faz dele o mais antigo de São Paulo e um dos três mais antigos do Brasil.
Em escavações, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram vestígios de ferramentas de pedra lascada e fósseis de animais ancestrais. Onde hoje estão os cafezais, passeavam paleoíndios, tigres-dente-de-sabre, preguiças gigantes e pequenos dinossauros. Integrante da Rota do Café de São Paulo, a propriedade recebe visitas técnicas e atividades de turismo educativo.
Fazenda Monte Alto – Dourado (SP)
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Foto: Ricardo Benichio
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Foto: Ricardo Benichio
A fazenda tem baixa rotatividade de funcionários. Muitos deles trabalham no local há décadas – o colaborador mais antigo tem carteira assinada há 67 anos. Toda a equipe é registrada, e a Monte Alto cumpre integralmente normas como a NR-31, que regulamenta o trabalho rural.
Nas ações voltadas ao público fora da porteira, a fazenda trabalha na inclusão da comunidade via relacionamento ativo com escolas e universidades e participação em arranjos produtivos locais que integram pequenos produtores. Além de Maria Helena, a equipe da Fazenda Monte Alto conta com outras mulheres em posições de decisão, como a primeira funcionária da equipe, atual gerente, e as duas filhas da proprietária.

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