Economia circular é estratégica em fazenda com mais de 20 mil hectares

Na Fazenda Pamplona, a economia circular ganhou status de “objetivo estratégico” e está mudando a relação com os resíduos do processo produtivo. “A partir dessa mudança, buscamos identificar as oportunidades de não gerar resíduos e de transformar e dar uma destinação correta a esse material, muitas vezes inserindo-o no processo produtivo”, afirma Tiago Agne, gerente de sustentabilidade da SLC Agrícola, dona da propriedade.

Fazenda Pamplona

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Com área produtiva que chegou a 27.336 hectares na safra 2024/25, a Pamplona é uma das 23 fazendas que pertencem ao grupo. As terras da propriedade cobrem partes dos municípios de Cristalina (base principal) e Luziânia, em Goiás, e Unaí, em Minas Gerais. Cultivo de algodão e grãos é sua atividade principal.

A Pamplona foi a primeira das fazendas da SLC a implantar o Programa de Economia Circular, uma iniciativa que tem a meta de, até 2029, zerar o volume de resíduos destinados a aterros sanitários. Entre as ações que a propriedade tem desenvolvido para atingir o objetivo estão a reorganização da infraestrutura para a implantação do modelo circular, treinamento de pessoal para a segregação dos resíduos e a implantação de uma ecofábrica.

A companhia prevê concluir ainda neste ano a adoção do Programa de Economia Circular nas fazendas Pantanal (GO e MS), Planalto (MS), Paiaguás (MT) e Palmares (BA).

Segundo Agne, entre 60% e 80% dos resíduos orgânicos ou domésticos que a propriedade gera são passíveis de compostagem. O material segue para a ecofábrica, onde é transformado em biofertilizante. Para zerar o descarte de resíduos, o material que apresenta algum fator de contaminação vai para incineração.

 — Foto: Estúdio de Criação
— Foto: Estúdio de Criação

A expansão das ações de economia circular está na agenda ESG (sigla em inglês para as boas práticas ambientais, sociais e de governança) do grupo, segundo Agne.

Outras prioridades que integram esses esforços, afirma ele, são tornar-se carbono neutro nos escopos 1 do Protocolo de Gases de Efeito Estufa, ou GHG Protocol (emissões decorrentes da produção) e 2 (emissões que ocorrem na geração da energia que se usa na atividade) até 2030 e adotar insumos biológicos no manejo das culturas agrícolas. Esses compromissos também fazem parte do planejamento estratégico da SLC.

Em operação desde a década de 1980, a Pamplona é a fazenda mais antiga do grupo. No sistema produtivo de algodão e grãos, a prioridade da companhia é a adoção de práticas de agricultura regenerativa, como o plantio direto, o uso de cobertura vegetal, a rotação de culturas e o erraceamento. Agne enfatiza que essas ações desempenham papel crucial na conservação da água e do solo.

“Todas essas ações garantem resiliência para o sistema produtivo, inclusive em períodos em que as condições climáticas não estejam favoráveis”, afirma.

Na temporada 2024/25, a Pamplona conseguiu produtividade no cultivo de soja de 4.435 quilos por hectare, um volume 24% superior à média nacional nos últimos cinco anos. Para Agne, esse desempenho foi resultado direto da adoção do modelo sustentável na propriedade.

Área de vegetação nativa e estruturas físicas da Fazenda Pamplona — Foto: Luiz Felipe Santos
Área de vegetação nativa e estruturas físicas da Fazenda Pamplona — Foto: Luiz Felipe Santos

A área de preservação de mata nativa na Fazenda Pamplona é de 7.975 hectares. A conservação, observa o gerente de sustentabilidade, não é simplesmente uma questão de cumprimento de exigências legais. “(Preservar vegetação nativa) é uma forma de regular o microclima, o que dá mais equilíbrio ao sistema produtivo e contribui até mesmo para o combate natural de pragas e doenças das culturas anuais”, resume ele.

Os esforços sustentáveis da propriedade incluem ainda ações voltadas especificamente às comunidades do entorno da Pamplona.

Um dos exemplos é o AgroEduca, iniciativa que a fazenda lançou em 2022 e que oferece a estudantes do ensino médio uma vivência prática do universo do agronegócio. O projeto mobiliza colaboradores de diversas áreas do grupo e oferece aos estudantes módulos temáticos que abordam produção agrícola, mecanização, sustentabilidade e liderança feminina, entre outros.

Com os resultados positivos, a SLC decidiu ampliar a iniciativa, estruturando a metodologia para poder replicá-la em todas as unidades produtivas do grupo, o que tem ocorrido desde 2023. No ano passado, a empresa organizou 25 ações do gênero, que tiveram a participação de quase 1.400 jovens.

Por meio do Instituto SLC, a empresa desenvolve projetos nas áreas de educação, voluntariado corporativo e desenvolvimento territorial. Segundo Agne, esses também são pilares estratégicos do grupo.

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