Tirolez compra Levitare, empresa líder na produção de queijos de búfala

O grupo de laticínios Tirolez anunciou ontem a compra da Levitare, empresa líder na produção de queijos de búfala em São Paulo, segundo a plataforma Scanntech, especializada em dados sobre o varejo. A aquisição, por valor não informado, adiciona uma linha de 50 produtos de leite de búfala ao portfólio da Tirolez, que, em seus 45 anos de operação, concentrou-se na fabricação de itens a partir do leite de vaca.

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A Levitare ajudou a colocar os derivados do leite de búfala no dia a dia do consumo nas últimas duas décadas. Além da muçarela de búfala, a companhia apostou no uso do leite em itens como queijo minas frescal, padrão e manteiga. A empresa também foi pioneira na linha sem lactose, no requeijão de búfala e na burrata recheável.

Essa foi a primeira vez que a Tirolez fechou a aquisição de uma marca. Desde sua fundação, em Tiros (MG), em 1980, a empresa tem privilegiado o crescimento orgânico e a compra de ativos estruturais em sua estratégia de expansão.

As companhias têm uma similaridade histórica. Ambas nasceram por iniciativa de irmãos Cícero e Carlos Hegg, no caso da Tirolez, e Denise e Jorge Nakid, no da Levitare. Os Nakid começaram a fabricar artesanalmente queijos produzidos com leite do rebanho bubalino da fazenda da família, na cidade de Sete Barras, no interior de São Paulo, e criaram a marca Levitare em 2004.

Agora, os itens passam a compor o portfólio da Tirolez, que já oferecia 28 tipos de queijos e mais de 130 versões dos produtos. A nova proprietária dará mais capilaridade à marca. “Identificamos na Levitare missão e propósito que combinam com os nossos. Ao mesmo tempo em que é uma empresa de raiz familiar e que preserva a tradição, ela tem uma forte cultura de inovação e utiliza as melhores práticas de fabricação de laticínios”, diz Marcel de Barros, o principal executivo da Tirolez.

Segundo ele, o segmento de queijos de búfala tem tido crescimento de dois dígitos nos últimos cinco anos. O acordo com a Levitare prevê a permanência dos irmãos Nakid no negócio durante todo o período de integração entre as duas operações.

A aquisição foi a primeira do gênero que a Tirolez fez em seus 45 anos de operação, mas não se tratou de um negócio de ocasião, segundo Barros, que está no cargo desde o início do ano passado. Segundo ele, a Tirolez espera manter o crescimento de dois dígitos e “eventualmente capturar mais oportunidades em termos de aquisição mais à frente”.

“Dentro da nossa estratégia, que a gente vem executando desde o ano passado, identificamos alguns potenciais alvos que nos ajudariam a acelerar a execução da estratégia. Esse crescimento inorgânico vai nos fazer avançar com mais rapidez do que se a gente estivesse somente olhando o lado do crescimento orgânico da companhia”, disse Barros ao Valor. A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Barros afirma que o mercado de queijo de búfala registrou um crescimento composto de 15% nos últimos quatro anos. “Os produtos de búfala são muito leves, saudáveis, frescos. Os consumidores buscam isso’, afirma.

No entanto, o consumo ainda está bastante concentrado no Sudeste do país. Agora, por meio de uma empresa com atuação nacional, a ideia é ampliar o mercado consumidor dos produtos da Levitare. “A Tirolez hoje conta com mais de 600 promotores de venda. Vamos abrir muitas possibilidades e oportunidades”, resume o executivo.

A Tirolez projeta crescer em ritmo duas vezes maior do que o restante do segmento, ganhando participação de mercado de forma gradativa. “Para o ano que vem, o mercado projeta um crescimento do volume de cerca de 2%. Então, estamos projetando crescer mais de 5% em 2026”, afirmou. No Estado de São Paulo, a companhia tem 12% do mercado.

Sobre o segmento de queijos em geral, o executivo vê potencial para crescimento, já que o consumo per capita no Brasil é de cerca de 6 quilos por ano, e em outros países da América Latina, o volume é duas vezes maior. Barros projeta que o Cade aprovará o negócio com rapidez. “O nível de concentração é bastante baixo”, diz. (*Do Pipeline)

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