Operação desarticula novo plano do PCC para matar promotor e diretor de presídios em São Paulo

Policiais civis e militares cumprem 25 mandados de buscas em operação contra um grupo que planejava matar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que há duas décadas fustiga o Primeiro Comando da Capital (PCC), e o diretor de presídios Roberto Medina, coordenador das penitenciárias da região oeste de São Paulo, onde está detida a maioria das lideranças da facção criminosa no Estado.

Medina é um velho alvo do PCC, que também tem entre seus desafetos o promotor Lincoln Gakiya, jurado de morte pela facção. Ambos já tiveram seus nomes envolvidos em outros planos da facção para criar “cadáveres excelentes”, ou seja, vítimas notórias do crime organizado, como o ex-delegado-geral de Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes.

A investigação detectou Victor Hugo da Silva, o “VH”, Wellisson Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha”, e Sergio Garcia da Silva, vulgo “Messi”, como integrantes desse grupo criminoso. Eles teriam ainda uma lista de alvos de integrantes do Batalhão de Ações Táticas Especiais (Baep), da Polícia Militar.

Segundo o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo (Gaeco), “os criminosos já haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades, num plano meticuloso e audacioso que demonstrava o grau de periculosidade e ousadia da organização”.

Ainda segundo os promotores, “a célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama”. Para o Gaeco, a ação integrada entre as polícias e o Ministério Público permitiu “detectar e neutralizar o plano antes que fosse executado, impedindo que o crime organizado alcançasse seu objetivo”.

Entre os alvos que os bandidos monitoraram estava a mulher de Medina, Jacqueline, que teve o carro fotografado pelos criminosos. Além disso, no celular de Messi, os policiais encontraram prints e áudios que mostram ele negociando fuzis, “além de coletar prints de mapas de georreferenciamento indicando localizações precisas em Presidente Prudente, inclusive, da sede do Ministério Público de Presidente Prudente”.

O plano dos bandidos começou a ser descoberto depois da prisão de VH, detido por tráfico de drogas em 29 de julho. No celular do acusado estavam fotos da família de Medina extraídas do Instagram da mulher do diretor. Os bandidos seguiram-na até o seu trabalho e lá a fotografaram também. Por fim, fizeram vídeos e fotos da casa do diretor e da penitenciária onde ele trabalha no dia 26 de julho, em Presidente Vesceslau.

Fotos de execução do ‘tribunal do crime’ e Marcola ‘herói’

VH seria o “disciplina” da facção na região de Presidente Venceslau. Em um grupo de WhatsApp mantido pelos criminosos ele se identificava como Falcão. No celular foram achadas imagens de drogas e de armas, inclusive uma foto na qual ele empunha um fuzil. A fotografia de uma mulher que teria sido “decretada”, condenada à morte pela facção sob a acusação de “mão na cumbuca”, ter desviado dinheiro do PCC, bem como a execução de um homem pelo tribunal do crime.

Com base nessas informações a Delegacia Seccional de Presidente Prudente, abriu um inquérito sobre o caso. Analisando os contatos de VH no celular, a polícia chegou a Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o Corinthinha, que teria alugado uma chácara que serviu para abrigar a quadrilha que monitorava o diretor dos presídios. No celular dele, os policiais encontraram mais indícios da ação que estava sendo preparada.

O grupo teria pesquisado a compra de fuzis calibre 5,56 mm e de um SUV Fiat Freemont com insulfilm para fazer a emboscada. Veículo semelhante, segundo a polícia, foi usado para matar o traficante Jorge Rafaat Tounani e seria usado na emboscada que o PCC planejava para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas. Também foi encontrado com os acusados uma publicação sobre Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, com a seguinte frase: Para a mídia, um monstro; para nós, um herói”.

O último acusado a ser preso foi Messi. Foi no celular dele que encontraram pesquisas feitas no google do trajeto da casa do promotor Gakiya para seu trabalho em Presidente Prudente prints. Para a polícia, estava claro que eram integrantes da facção ligados à chamada Sintonia Restrita, o setor da facção responsável pelo assassinato de autoridades e pelo resgate de presos. A polícia agora apura a participação de outras pessoas no plano contras autoridades, daí a necessidade das buscas em sete cidades da região oeste do Estado.

COM A PALAVRA, O PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA

Diante da notícia veiculada, nesta sexta-feira, pelos meios de comunicação sobre um meticuloso plano para eliminar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios da região oeste de São Paulo, Roberto Medina, a Procuradoria-Geral de Justiça vem a público expressar seu irrestrito apoio a essas duas destacadas autoridades e a todas as demais que, por cumprirem seu dever funcional, se transformam em alvos do crime organizado.

Graças à atuação integrada do Ministério Público, da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal, o tentame não se consumou. A população pode ficar tranquila. As instituições continuarão desempenhando o seu papel constitucional: defender a sociedade e combater os que vivem à margem da lei! Diferentemente do que possam suspeitar os autores do plano frustrado, esse acontecimento não intimidará nenhum dos valorosos membros do MPSP, que têm como marca a coragem e a altivez. Pelo contrário. Atuaremos com mais energia ainda. Como afirmei em outra ocasião, não recuaremos sequer um centímetro. Repito: sequer um centímetro!

Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, procurador-geral de Justiça

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