O presidente americano Donald Trump fez um gesto de abertura para a redução do tarifaço sobre o Brasil. Mais tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a jornalistas brasileiros que “pode estar certo de que vai haver uma solução”, antecipando o encontro bilateral previsto para este domingo.
Logo após embarcar rumo a Kuala Lumpur, Trump foi questionado, já no fim de uma conversa com jornalistas que o acompanhavam, se consideraria reduzir as tarifas adicionais aplicadas ao Brasil. “Nas circunstâncias certas, claro”, respondeu.
Considerando a imprevisibilidade do presidente americano, a declaração soou positiva, ainda mais que foi a primeira vez que deu essa sinalização. E positiva também levando em conta que Trump acabou de suspender negociações com o Canadá por causa de um anúncio publicitário contrário a tarifas, publicado por uma província do país vizinho.
Mais tarde, ao sair do hotel para receber o título de doutor honoris causa concedido pela Universidade Nacional da Malásia, o presidente Lula parou para atender jornalistas.
Lula afirmou que veio “para encontrar soluções”. Indagado sobre a fala de Trump a respeito das “circunstâncias certas”, respondeu: “Tudo depende da conversa. Eu trabalho com o otimismo de que a gente possa encontrar uma solução”.
Questionado se estaria disposto a ceder a eventuais demandas de Trump, Lula declarou: “Não há exigência dele, e não há exigência minha ainda. Vamos colocar os problemas na mesa” — e completou: “Pode estar certo de que vai haver uma solução”.
Esse é o cenário, ainda em meio à falta de confirmação oficial de ambos os lados sobre o encontro em Kuala Lumpur, que pode simbolizar um começo de retomada da normalidade na relação bilateral.
Na Esplanada dos Ministérios, um importante assessor do governo dizia, na semana passada, que seria uma derrota diplomática do Brasil “pagar aos EUA para o governo americano tirar o bode que colocou na sala” — em referência às tarifas de 40%, impostas sob alegações de razões políticas internas sem relação com o comércio.
No entanto, o mesmo assessor admitia que seria preciso “colocar uma escada” para que Trump pudesse anunciar uma vitória, como costuma fazer.
O argumento de que empresas brasileiras criam empregos nos Estados Unidos não é desprezível.
A Embraer já informou ao USTR, a agência de representação comercial americana, que, sem interrupções tarifárias, pretende comprar determinado montante em bens e serviços de empresas americanas entre 2025 e 2030. A maioria dessas compras representaria exportações dos EUA para o Brasil. Em contrapartida, as exportações da Embraer do Brasil para os Estados Unidos, no mesmo período, devem ser menores. Assim, no caso da empresa, os EUA estariam a caminho de um superávit de US$ 8 bilhões entre 2025 e 2030, em um cenário de tarifa zero.
Atualmente, a Embraer sustenta 12,5 mil empregos nos Estados Unidos e estima que suas compras nos próximos cinco anos gerem outros 5 mil postos de trabalho. Hoje, 88% dos acionistas da companhia estão sediados nos EUA, e 44% das ações totais pertencem a investidores estrangeiros.
O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, esteve nesta sexta-feira no mesmo hotel onde Lula se hospeda — assim como os irmãos Joesley e Wesley Batista, principais acionistas da JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, controladora da holding J&F Investimentos, com diversos negócios também nos Estados Unidos.

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