Na Itália, quando as temperaturas começam a cair no outono e as pastagens já não sustentam os rebanhos, formam-se longas fileiras de ovelhas descendo as montanhas, seguidas por burros e pastores. Essa migração sazonal, chamada transumância, é uma prática que atravessa séculos — e que, nos últimos anos, voltou a chamar atenção pelo detalhe mais curioso da jornada: os cordeiros recém-nascidos viajam nas costas de burros e mulas.
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A transumância acontece todos os anos em regiões como Abruzzo, Marche, Umbria e Lombardia. Segundo a organização agrícola Coldiretti, quase meio milhão de ovelhas, cabras e vacas ainda participam desse deslocamento anual entre pastos de verão e de inverno.
A viagem segue antigas trilhas conhecidas como tratturi, rotas abertas há séculos pela passagem dos próprios rebanhos, ligando montanhas e vales.
O percurso pode durar de 10 a 20 dias, cruzando terrenos íngremes e pedregosos. É aí que entram os burros e mulas equipados com selas adaptadas, com bolsas acolchoadas nas laterais, onde os cordeiros viajam protegidos. O sistema evita que os filhotes se cansem ou se percam, permitindo que as ovelhas-mães acompanhem o rebanho no mesmo ritmo.
Durante as paradas, os cordeiros são retirados das selas para mamar e descansar antes de retomar a viagem nas costas dos burros — animais conhecidos pela força, docilidade e resistência a longas caminhadas.
Em 2019, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) reconheceu a transumância como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade — resultado de um esforço conjunto entre pastores e instituições locais, segundo o jornal italiano La Repubblica.
Mas, como lembra a agência ANSA, o número de rebanhos envolvidos caiu cerca de 30% nos últimos anos, especialmente na região de Abruzzo, devido às pressões do avanço urbano, da mecanização e do envelhecimento das comunidades rurais.

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