O peso das indústrias de insumos agrícolas na oferta de crédito rural tem crescido no país. No ano passado, as empresas do segmento emprestaram R$ 80,8 bilhões aos produtores rurais, montante que representou um terço do financiamento do custeio no campo, segundo estatísticas da CropLife Brasil, entidade que representa as companhias de sementes, mudas, bioinsumos e defensivos químicos.
O volume de crédito foi 12% menor do que o de 2022. Ainda assim, o crédito equivaleu a 72% das receitas do segmento, que totalizaram R$ 114,1 bilhões em 2024. Dois anos antes, os empréstimos corresponderam a 69% do faturamento das empresas, que foi de R$ 133,3 bilhões em 2022.
“Isso ocorreu porque, entre 2022 e 2024, o faturamento das empresas de insumos caiu em ritmo mais acentuado do que o valor dos créditos. Ou seja, a queda nas vendas foi proporcionalmente maior que a redução dos créditos, o que explica por que o peso dos créditos no faturamento total aumentou, mesmo com uma redução nominal dos empréstimos”, disse Renato Gomides, gerente-executivo da CropLife.
Em um cenário de desvalorização das commodities agrícolas, cresceu a opção pelo barter, modalidade em que as empresas concedem empréstimo em troca da colheita futura. No ano passado, as companhias de insumos desembolsaram R$ 12,6 bilhões em crédito rural via barter, ou 72% a mais do que em 2022.
Segundo Gomides, o mecanismo dá segurança para a indústria e torna mais previsíveis as receitas dos produtores. “É um modelo de crédito que não se encontra em outros lugares do mundo”, disse.
As estatísticas estão no CropData, portal com informações sobre a indústria que a CropLife lançou na semana passada. Segundo a plataforma, as receitas das indústrias de insumos caíram 14% entre 2022 e 2024. O faturamento das empresas de defensivos químicos, que representavam 76% do total em 2022, responderam por 70% no ano passado.
A fatia das empresas de bioinsumos ainda é bastante pequena, mas o segmento foi único que cresceu nesse intervalo de dois anos, sobre os quais há dados na plataforma. Em 2022, a receita das empresas de bioinsumos foi de R$ 3,4 bilhões, o que correspondeu a 2,5% do total naquele ano. No ano passado, o faturamento cresceu 30% em relação a 2022, para R$ 4,5 bilhões, montante que representou 3,9% do faturamento das empresas de insumos, de acordo com o CropData.
A plataforma reúne dados sobre insumos agrícolas disponíveis em fontes públicas ou obtidos de consultorias contratadas. “A ideia é garantir que a informação seja divulgada de forma correta e com base em estatísticas”, disse o presidente da CropLife Brasil, Eduardo Leão.

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