TIM já utiliza até crédito de ICMS para conectar o campo

Diante da perspectiva de redução das margens de diversos produtos agrícolas prevista para o próximo ano e da restrição da capacidade de investimento por parte dos agentes do agronegócio, a TIM Brasil está apostando na flexibilização de modelos de negócio para ampliar sua cobertura de sinal nas áreas rurais do país.

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Um dos exemplos de flexibilização foi o acordo fechado pela TIM com a Usina Santa Terezinha neste ano, em que a empresa sucroalcooleira utilizou créditos de ICMS no Paraná para fazer o investimento em cerca de 40 torres para oferecer sinal 4G nas áreas que abastecem suas usinas com cana-de-açúcar.

“A gente busca formas de fazer com que o produtor consiga buscar formas de investir mesmo nesse momento de crise”, afirmou Alexandre Dal Forno, diretor de IoT da TIM, em entrevista ao Valor, à margem de um evento da consultoria Datagro na semana passada.

Alexander dal Forno, da TIM, durante evento promovido pela Datagro: "Se você ficar esperando a melhor tecnologia para começar [a investir em conectividade], você nunca vai colher os frutos." — Foto: Camila Souza Ramos
Alexander dal Forno, da TIM, durante evento promovido pela Datagro: “Se você ficar esperando a melhor tecnologia para começar [a investir em conectividade], você nunca vai colher os frutos.” — Foto: Camila Souza Ramos

Para ele, a perspectiva de redução dos ganhos dos produtores deve provocar dois movimentos distintos em relação a investimentos em tecnologia. Por um lado, os grupos que já tinham planos de investir na conectividade de suas lavouras, mas ainda não tinham tirado seus planos do papel nem foram ainda afetados pelo momento adverso devem acelerar a estratégia para capturar os benefícios. Já aqueles produtores que já estão com alguma dificuldade para gerar caixa devem adiar seus planos, disse.

Outra iniciativa que a TIM aposta é em sua parceria com a Orbia, marketplace do agronegócio controlada pela Bayer. Nessa parceria, lançada na última Agrishow, o produtor pode utilizar seus pontos Orbia, acumulados a cada R$ 2 gastos na plataforma, pelas soluções de conectividade da TIM.

Para este ano, Dal Forno acredita que a companhia conseguirá alcançar sua meta de ampliar sua área conectada no Brasil para 26 milhões de hectares. Para isso, a empresa terá que garantir a cobertura de 2,5 milhões de hectares nos próximos dois meses e meio, já que, até meados de outubro, a área conectada pela TIM nas áreas rurais do país somava 23,5 milhões de hectares. Desde o fim do ano passado para cá, a TIM ampliou sua área conectada em 3,5 milhões de hectares.

Buscamos formas de fazer com que o produtor invista mesmo na crise”
— Alexandre Dal Forno, diretor de IoT da TIM

Segundo o executivo, a empresa tem recebido muita demanda de empresas do setor sucroalcooleiro, que necessitam de programas fortes de digitalização para controlar o fluxo de chegada da cana-de-açúcar em suas usinas, além da terem necessidade de antecipar eventuais dificuldades operacionais em campo, controlar operações à distância para melhorar a efetividade do manejo, entre outras vantagens.

“O processo de corte, carregamento e transporte [de cana-de-açúcar] é um processo de logística que não pode parar. É 24 [horas] por 7 [dias], de abril a outubro, praticamente. A conectividade traz uma grande vantagem para isso, porque se consegue ter informações em tempo real para decisões em tempo real”, explicou.

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Um segmento que vem começando a demandar mais serviços de conectividade é a pecuária. Embora ainda esteja atrás na adoção de tecnologias, a atividade está buscando mais soluções de conexão por causa das demandas por rastreabilidade do gado bovino e de tecnologias de rastreamento individual, como por brincos. Para essa demanda, a TIM aposta no momento na tecnologia NB-IoT, que permite a conexão de vários dispositivos de forma concomitante com baixo consumo de energia.

Para Dal Forno, o maior desafio do agronegócio não é tecnológico, mas de processos. “As equipes do agro são muito analógicas. É preciso fazer a transformação de processos, de mentalidade de equipes”, defendeu. Por isso, para ele o mais importante é que o produtor rural faça agora algum investimento, independentemente da tecnologia existente.

“Se você ficar esperando a melhor tecnologia para começar [a investir em conectividade], você nunca vai colher os frutos. Tem que começar o mais rápido possível para já ter os processos. Quando a tecnologia chegar, aí o produtor vai ter os ganhos dela”, disse.

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