O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (28) o fim da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo presidente Donald Trump. A decisão foi interpretada pela imprensa internacional como uma “repreensão pública” a Trump e um gesto de distanciamento da Casa legislativa em relação ao Executivo. A proposta, de autoria democrata, só foi aprovada graças ao apoio de cinco senadores republicanos.
Ainda assim, a mídia internacional aponta que a iniciativa tende a fracassar, já que deve enfrentar resistência na Câmara dos Representantes, que votou no início deste ano para bloquear toda legislação que contestasse as tarifas até março de 2026.
A votação terminou em 52 a 48. Além da resolução sobre o Brasil, outras duas propostas semelhantes devem ser analisadas nos próximos dias — uma relacionada às tarifas sobre o Canadá e outra às taxas impostas globalmente a mais de cem parceiros comerciais. As resoluções têm como objetivo revogar tarifas instituídas sob declarações de emergência feitas por Trump com base em uma lei da Guerra Fria. Caso sejam aprovadas, as tarifas deixariam de valer imediatamente.
The New York Times
Conforme publicado pelo jornal The New York Times, presidentes americanos anteriores usaram a Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional para punir violadores de direitos humanos e Estados desonestos, mas, no caso do Brasil, “as tarifas se baseiam principalmente em questões políticas”, em referência à acusação criminal de tentativa de golpe de Estado enfrentada por Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
O NYT apontou que a votação, com o apoio daqueles que cruzaram a linha partidária, “sinalizou frustração bipartidária” com as tarifas sobre os produtos do Brasil, um país com o qual os EUA têm superávit comercial.
Apesar dos esforços, o NYT apontou que republicanos que se opuseram aos projetos disseram que tais medidas não passavam de “uma demonstração de força no plenário do Senado”, ou “mais um projeto político do que uma abordagem substantiva”.
The Wall Street Journal
O The Wall Street Journal apontou que o projeto aprovado é uma “repreensão de uma peça central da agenda econômica da Casa Branca” e deu bastidores da votação. Conforme apuração do jornal, a votação ocorreu após um “tenso almoço a portas fechadas”, onde o vice-presidente JD Vance teria enfrentado resistência de senadores republicanos em relação às novas propostas que o governo vem considerando para quadruplicar as importações de carne bovina da Argentina.
Essa reunião, ainda conforme o WSJ, teria sido convocada para que Vance pedisse que os senadores se mantivessem alinhados com o governo na votação. Ao invés disso, o vice-presidente teria enfrentado “uma enxurrada de reclamações de parlamentares de estados agrícolas”.
Agora, a medida a favor do Brasil enfrentará “uma batalha difícil na Câmara” e, mesmo assim, Trump poderia vetar qualquer resolução que chegasse à sua mesa, “tornando a votação em grande parte simbólica”, escreveu o jornal.
Bloomberg
A Bloomberg sinalizou que a votação, que contou com o apoio de cinco republicanos — Thom Tillis, Rand Paul, Lisa Murkowski, Mitch McConnell e Susan Collins — foi uma “fratura no partido do presidente em uma questão econômica importante”.
A agência de notícias internacional publicou que acredita que o conflito comercial pode ser resolvido por outro caminho, sem a legislação. “Lula disse estar otimista de que uma solução seria alcançada para resolver o relacionamento tenso. Uma reunião com Trump à margem da cúpula da APEC foi “surpreendentemente boa”, disse Lula.”
Washington Post
O apoio dos cinco republicanos foi destacado também pelo Washington Post, que definiu o evento como “um indicador da crescente frustração do Partido Republicano com a política comercial do presidente”.
Ainda, o jornal também lembrou que uma resolução para anular todas as tarifas “recíprocas” de Trump foi rejeitada por 49 votos a 49 em abril, devido à ausência de dois senadores que apoiavam a matéria. A lei permite que qualquer senador force a votação do fim das emergências nacionais subjacentes às tarifas a cada seis meses, o que o senador Tim Kaine (Virgínia) afirmou que planeja fazer em breve.

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