Tradição familiar mantém viva a produção do Queijo de Alagoa

No município de Alagoa, nas Terras Altas da Mantiqueira, em Minas Gerais, a rotina de produção de queijo artesanal segue praticamente a mesma há gerações. É ali, a mais de mil metros de altitude, que o produtor Jayr Martins de Barros mantém viva uma tradição que faz parte da identidade local: o Queijo de Alagoa, um queijo artesanal de leite cru maturado, reconhecido pela textura firme, pelo sabor intenso e pelas notas que variam conforme o tempo de cura.

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A produção começa cedo. Às cinco da manhã, o produtor faz a ordenha e, antes das oito, o queijo já está enformado, iniciando o período de descanso. Todo o processo é manual, desde o corte da massa até o ponto ideal do cozimento. Esse saber foi herdado do pai, queijeiro da região, e hoje é transmitido aos filhos, Tatiane e Flávio.

Tatiane produz seu próprio queijo artesanal em Aiuruoca, cidade vizinha, e visita o pai sempre que pode para trocar experiências. Flávio, por sua vez, cuida do rebanho, garantindo o que todo bom queijeiro sabe: não há queijo de qualidade sem leite de qualidade.

Na Fazenda Serra do Condado, o conhecimento é compartilhado com visitantes. Queijeiros de diferentes partes do Brasil e até de outros países já passaram por ali para aprender as técnicas da família Barros. Entre uma fornada e outra, Jayr reforça sua filosofia: “o que a gente aprende, tem que passar adiante”.

Jayr Martins de Barros ensina as técnicas de produção do queijo artesanal — Foto: Emater-MG/Divulgação
Jayr Martins de Barros ensina as técnicas de produção do queijo artesanal — Foto: Emater-MG/Divulgação

O Queijo de Alagoa é um dos representantes mais tradicionais dos queijos artesanais mineiros, com características próprias influenciadas pelo clima de montanha e pelas pastagens locais. Feito com leite cru, fermento natural e sal, o queijo passa por um período de maturação que pode variar de alguns dias a meses, alterando aroma, sabor e textura.

Com o apoio técnico da Emater-MG, produtores como Jayr aprimoraram o manejo do gado, as práticas de fabricação e o controle de qualidade, o que contribuiu para o reconhecimento do produto em concursos nacionais e internacionais. A instituição também auxilia na formalização de negócios e na abertura de novos mercados para o queijo artesanal mineiro.

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